Falando em um “momento muito difícil” no futebol para explicar as mudanças relacionadas à estrutura de disputa do Paulistão a partir de 2017, tentando resistir aos abalos da crise financeira e moral que ronda o país, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, colocou, como uma das maiores preocupações da entidade, a garantia do pagamento de salários aos atletas inscritos pelos 20 clubes que disputarão a elite estadual.
De acordo com o mandatário, a fiscalização mais intensa não tem como intenção punir aqueles que não arquem com suas responsabilidades, mas sim garantir a manutenção da estrutura administrativa do futebol paulista. “Nós vivemos uma crise no futebol, uma crise no país. É preciso ter limites, não adianta ter 40 jogadores e não pagar salário. Os 28 atletas vão receber em dia mediante uma lei rigorosa da Federação. Vamos acompanhar isso mais de perto para garantir o pagamento de impostos e salários em dia”, declarou.
Querendo enxugar o orçamento para trabalhar de forma mais ordenada, Reinaldo Carneiro Bastos não acredita que o limite de 28 atletas comprometa a participação de jovens das categorias de base. “Queremos que a base esteja presente sim, mas entre os 28 jogadores. Precisa estar na cabeça do clube que a base é fundamental para o sucesso. Os clubes entenderam e estão aderindo a essa forma”, reconheceu. “Temos 12 clubes no cenário nacional e queremos chegar a 20. Vamos trabalhar dando suporte, é uma prioridade fazer com que a participação de São Paulo aumente”, prosseguiu.
Ao comentar sobre a nova determinação que impede a troca de técnicos entre equipes participantes do torneio em 2016, ideia que já tomava forma nos bastidores da Federação e foi assumida pelos clubes após a reunião do conselho técnico, o presidente garantiu que, antes de efetivada, a nova medida passará por uma consulta jurídica.
“Foi um assunto que botamos na mesa, não tínhamos muita convicção. Não vamos proibir treinadores de trabalhar. Os clubes, entre eles, vão acordar de não contratar técnicos da Série A1. Estamos colocando uma equipe jurídica para trabalhar e ver se isso é legal. Para contratar um treinador, o clube terá que comprovar a rescisão do anterior”, esclareceu.
Querendo fazer do Paulistão um campeonato mais fortalecido em termos de competição e mais atrativo para o mercado, o mandatário da FPF explicou que a diminuição de equipes na edição de 2017 – de 20 para 16 – não implicará em menos datas no calendário, e sim, em embates mais disputados na fase eliminatória com ida e volta. Diferente do que acontecerá em 2016, as quartas de final e a semifinal também serão disputadas em dois jogos, assim como a decisão.