Adversário do Corinthians na primeira fase da Copa do Brasil, o Pirambu tem convicção que pode complicar a vida do time paulista na segunda competição mais importante do país. O exemplo a ser seguido vem de um outro nanico do Nordeste, o ASA de Arapiraca-AL, que em 2002 despachou o Palmeiras logo na rodada inicial do torneio.
A população da pequena cidade sergipana, localizada a cerca de 25 quilômetros da capital Aracaju, está confiante. O discurso é de que “futebol é 11 contra 11”, “futebol hoje está muito nivelado”, os velhos jargões de sempre. Mas o que dá mais esperança para o duelo do dia 21 de fevereiro é o desempenho da equipe desde sua fundação.
O Pirambu está em atividade há um ano e seis meses e, neste período, conquistou os títulos da segunda divisão do Campeonato Sergipano (em 2005, invicto) e da primeira (em 2006). “Somos o quinto time na história do futebol brasileiro e ser campeão da segunda e da primeira divisão consecutivamente”, gaba-se o supervisor da equipe, Clei Sá.
Tal retrospecto já faz os dirigentes sonharem em alcançar a condição de principal equipe do Estado. “Somos os favoritos para o Campeonato Sergipano e acreditamos que daqui a uns quatro anos podemos superar Sergipe e Confiança e nos tornarmos o maior do Estado”, afirma o supervisor. A equipe já lidera a competição, com dez pontos, e vem de goleada sobre o Guarany por 4 x 1, nesse domingo.
Apoio é o que não falta. A equipe conta com os patrocínios da prefeitura local (responsável por remodelar o antigo Olímpico Futebol Clube e levá-lo a Pirambu), do Banese (Banco do Estado de Sergipe) e, desde o início do ano passado, do grupo de forró Calcinha Preta, um dos mais famosos do gênero.
“Além de termos o melhor Carnaval do Estado, o que atraiu o Calcinha Preta é que tanto a banda como nosso time surgiram do nada e chegaram à mídia em pouco tempo. Ambos se organizaram e obtiveram retorno rápido”, conta Sá, acrescentando que o clube está próximo de fechar um patrocínio extra com uma empresa paulista apenas para o duelo contra os corintianos.
Por isso, nem o fato de atuar fora de cidade será um problema, já que a partida de ida não será realizada em Pirambu, mas sim na capital do estado. Formada por vielas e ruas de paralelepípedo, a cidade não tem condições de receber um adversário do porte do Corinthians. Além disso, o estádio municipal tem capacidade apenas para quatro mil pessoas, mesmo número da população/torcida local.
“Não temos torcida, hino, nem mascote”, diz Sá. “Mas não é isso que vai nos impedir de crescer cada vez mais”, pondera o dirigente, que confia em uma repetição do fenômeno de Arapiraca em 2002. Outra inspiração recente é o Baraúnas, do Rio Grande do Norte, que foi às quartas-de-final de 2005, após eliminar América-MG, Vitória e Vasco.
A arma para vencer
O planejamento do Pirambu é bem diferente dos que são feitos nos grandes clubes brasileiros. Recentemente, o técnico Wanderley Luxemburgo afirmou que “o ideal é trocar 30% do elenco ao final de cada temporada”, considerando a venda de alguns atletas e a substituição de peças secundárias.
No time sergipano, a filosofia é exatamente contrária. “Reformulamos nosso elenco em 70%. Nosso pensamento é sempre estar reformulando para evitar acomodação. O jogador vem para Pirambu, conquista o título estadual e acha que não tem mais o que fazer aqui. E nós queremos sempre jogadores motivados”, explica Sá.
De meados de 2005 até hoje, as despesas gerais do clube pulou de R$ 25 mil para R$ 60 mil. Apesar do crescimento, nunca houve problemas para honrar os compromissos. “É um clube pequeno, que paga pouco, mas paga. Fazemos as contas sempre com uma reserva, então, o que recebemos dos nossos patrocinadores cobre todas as despesas e ainda sobra”, diz o dirigente.
Além do Campeonato Sergipano e da Copa do Brasil, a meta da equipe é fazer um bom papel no Campeonato Brasileiro da Série C no segundo semestre. Sá afirma que, “para subir de divisão, é preciso trazer jogadores de uma divisão acima”, mas descarta a contratação de medalhões como Viola e Oséas.
“Esses jogadores foram oferecidos, mas acontece que quem pagaria a maior parte dos salários deles seriam seus próprios empresários. Como eu ia poder cobrar de alguém que não recebe do clube? Não temos interesse nesse tipo de negociação”, afirma Sá, emendando que a idéia é passar a investir nas categorias de base a partir deste ano.