Goal! No goal! As palavras em inglês que determinaram destinos na Copa do Mundo 2014 poderiam ser o terror dos flamenguistas caso a tecnologia da linha do gol (GLT, sigla em inglês) estivesse implantada nos últimos Cariocas.
Com o gol assinalado pelo o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães, no empate por 1 x 1 entre Madureira e Flamengo, os rubro-negros acumulam mais uma decisão polêmica da mesma maneira em dois anos: a bola passou ou não da linha do gol?
Com a confusão do último fim de semana, o Flamengo se beneficia pela segunda vez por conta da falta da tecnologia. No dia 16 de fevereiro do ano passado, o árbitro Eduardo Cordeiro Guimarães e seus auxiliares não marcaram um belo gol de Douglas, do Vasco, em uma falta cobrada em que a bola passou 33 cm da linha do gol.
No mesmo jogo, porém, o GLT evitaria maiores polêmicas para Eduardo, que validou um gol de Elano, que atuava pelo Rubro-negro. Uma cabeçada certeira que Martín Silva conseguiu pegar, além da linha do gol.
No total, 2 x 1 a favor do Flamengo, que aproveita o alto custo e a falta de padronização dos estádios, que impossibilita que a CBF tente implantar a GLT no país.
“Com a tecnologia da linha do gol, lances duvidosos não ocorreriam, pois ela é 100% precisa”, afirmou o árbitro Sandro Meira Ricci, o primeiro a utilizar a tecnologia na história da Copa do Mundo, na partida entre Honduras e França.
Complicado a olho nu
Em entrevista ao Jornal de Brasília, o árbitro não quis comentar sobre os lances citados, mas acredita que existem situações complicadas dentro de um jogo de futebol.
“Existem lances de gol em que é impossível enxergar a olho nu e ter uma absoluta convicção. Um exemplo foi o que aconteceu comigo. A tecnologia foi primordial para o acerto da marcação”, explica.
Saiba mais
Até agora, o único campeonato que utiliza a tecnologia da linha do gol é o Inglês.
Alemanha e Itália já aprovaram a inovação para a próxima temporada.
Além da GLT, utilizada pela Fifa na Copa do Mundo, outras como a Hawk-Eye tecnhology, usada no tênis e na liga inglesa, podem ser usadas.
Ricci avalia tecnologia como primordial
No dia 15 de julho de 2014, o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci entrou para a história das Copas ao marcar o primeiro gol validado pela tecnologia da linha do gol.
Benzema já abrira o placar para a França contra Honduras no primeiro, quando, logo aos dois minutos da etapa complementar, o centroavante recebeu lançamento e chutou de primeira. A bola bateu na trave, resvalou na mão do goleiro, quicou dentro do gol e saiu.
Um lance de extrema dificuldade e velocidade para se analisar em poucos segundos, mas que, com a ajuda da tecnologia, fez com que Sandro confirmasse o gol. “Na realidade o sistema é muito simples. A pulseira vibra e emite um som”, explicou Ricci.
O momento foi histórico, mas só foi desfrutado pelo árbitro horas depois do fim do jogo, sendo parabenizado por sua boa atuação no dia. “Você treina bastante, mas torce para que aquele momento não aconteça. Muitas pessoas depois me parabenizaram, não só pelo fato histórico, mas por ter mantido um controle emocional naquela situação”, disse.
Memória
A primeira vez
Depois da Fifa aprovar a utilização da tecnologia da linha do gol, a liga inglesa foi a primeira a adotar um sistema. O Hawl-Eye technology, já utilizado em partidas de tênis, foi o escolhido pela liga, e entrou em ação no dia 19 de agosto de 2013. O jogo era Chelsea e Hull City e os Blues venciam por 2 x 0, quando o lateral Ivanovic cabeceou para a defesa de McGregor, em cima da linha. Como o relógio do árbitro Jonathan Moss não havia vibrado, o próprio não assinalara o gol.