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Futebol

Fifa extingue Comitê Executivo e impõe limite de 12 anos para mandatos

Arquivo Geral

26/02/2016 9h50

Representantes de 179 federações de futebol aprovaram nessa sexta-feira um pacote de reformas para aumentar a transparência administrativa na Fifa. O aval para a implementação das medidas apresentadas pelo presidente interino Issa Hayatou ocorreu durante o Congresso Extraordinário que definirá o novo mandatário da entidade. Entre as normas aprovadas está a extinção do Comitê Executivo e a imposição de um limite de 12 anos para os mandatos de presidentes, conselheiros e do secretário-geral.

A imposição de um limite para presidentes permanecerem no poder é importante para diminuir a influência política de dirigentes na entidade. Joseph Blatter, suspenso por dois anos pelo Comitê de Ética por irregularidades administrativas, exerceu mandato na chefia da Fifa por 18 anos. O brasileiro João Havelange, antecessor do suíço, ficou 24 anos no poder.

Conhecido pelas décadas de escândalos envolvendo subornos e intrigas políticas, o Comitê Executivo dará lugar a um novo organismo chamado de Conselho Fifa. O número de assentos será ampliado de 25 para 36, sendo que será obrigatória a presença de seis mulheres – uma por continente. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o brasileiro Fernando Sarney seguirá desempenhando função no órgão. Ele assumiu o posto após a saída de Marco Polo Del Nero, presidente licenciado da CBF que é investigado pela Fifa e pelo FBI (polícia federal norte-americana) por envolvimento em esquemas de corrupção.

Também foi aprovada a publicação anual dos salários recebidos pelos membros do novo conselho, assim como os vencimentos do presidente e do secretário-geral. Outra importante medida diz respeito à redução dos 26 comitês permanentes da entidade para apenas nove. Textos exigindo garantias à proteção dos direitos humanos e maior transparência foram outros a receber o aval dos representantes das federações.

As reformas são uma resposta da Fifa às autoridades dos Estados Unidos que investigam dirigentes do alto escalão da entidade por corrupção. Vinte e dois dirigentes votaram contra o pacote, embora a necessidade de uma reformulação seja um tema constante nos discursos anteriores à eleição do novo presidente.

Após a aprovação das normas, o Congresso fez uma pausa para que os representantes das nações pudessem almoçar. A eleição do novo presidente terá início assim que os trabalhos forem retomados.

Dívida – O secretário-geral interino da Fifa, Markus Kattner, afirmou durante o Congresso que a entidade enfrentará um déficit orçamentário de US$ 550 milhões (R$ 2,1 bilhões) entre os anos de 2015 e 2018. Desde maio, quando o FBI deu início à prisão de dirigentes por corrupção, a Fifa tem gasto US$ 10 milhões (R$ 39,9 milhões) mensais com ações judiciais. Kattner assumiu o posto após seu antecessor, Jérôme Valcke, ter sido demitido por conta de um envolvimento em atividades ilícitas. Valcke foi banido do futebol por oito anos pelo Comitê de Ética.

Suspensão – Foram mantidas nessa sexta-feira as suspensões impostas às federações do Kuwait e Indonésia, o que impede os representantes dos dois países asiáticos de votarem no Congresso. Com isso, o número de votos para eleger o presidente em um segundo turno será de 104. A agência France-Presse ressaltou que a decisão é um revés para o candidato Salman bin Ebrahim al-Khalifa, cujo apoio está concentrado na Ásia. Ele é presidente da confederação de futebol daquele continente.

O Kuwait foi suspenso das atividades da Fifa no dia 16 de outubro de 2015 por ingerências políticas no funcionamento da entidade. A Indonésia foi punida pelos mesmos motivos no mês de maio.

Gafes – Apesar de reunir dirigentes ligados ao futebol mundial, o Congresso da Fifa teve início com duas gafes. A falta de conhecimento entre alguns dos representantes ficou evidente durante os testes das urnas eletrônicas que computarão os votos na cerimônia, os quais foram feitos com perguntas relativas à Copa do Mundo.

Os representantes foram perguntados em um primeiro momento se a Argentina havia vencido a final do Mundial de 2014. Nove representantes apertaram o botão ‘Sim’, o que provocou risos entre os presentes – a Alemanha foi a campeã da competição. Outra pergunta questionava se o torneio de seleções de 2018 será realizado na Rússia. Novamente, 11 dirigentes responderam errado e apertaram a opção ‘Não’.

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