Thiago Henrique de Morais
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Não bastasse a temporada ter sido marcada por problemas extracampo, com virada de mesa e alterações irregulares na tabela do torneio local, o planejamento do futebol candango para 2013 caminha no mesmo rumo.
Descumprindo o Estatuto do Torcedor, a Federação Brasiliense de Futebol (FBF) não deu publicidade da disputa do ano que vem, que deveria ter sido divulgada na última segunda-feira. Já a tabela do certame, está publicada no site da entidade.
De acordo com a legislação, a entidade organizadora deve divulgar a tabela, o regulamento e o nome do ouvidor com 60 dias de antecedência. O início do Candangão 2013 está previsto para o dia 19 de janeiro.
O secretário-geral da FBF, Ademilton Ricardo, o Pavão, não gostou de ser questionado sobre o assunto, acusando a reportagem de “não colaborar com o futebol local”. “Não tem como ter um regulamento sem um arbitral (reuniões para definir o formato da disputa). Não deu tempo para divulgar o regulamento por conta dos problemas dos campos.”
O Ministério Público entrou com uma ação alegando que os estádios do DF não têm condições de receber partidas do Candangão.
Formato sofreu alterações
Além do prazo de 60 dias para a divulgação do regulamento preliminar e da tabela da competição, o Estatuto do Torcedor não permite qualquer alteração em um prazo de dois anos, o que foi desrespeitado pela entidade.
Pelo menos duas mudanças foram notadas. Em 2013, o chamado “Torneio de Consolação” não acontecerá. Nesse ano, os times que não avançaram para as semifinais disputaram as Taças João Saldanha e Doutor Sócrates. Outra mudança ilegal é em relação ao número de jogos na decisão. Dois jogos ao invés de um único confronto na casa do dono de melhor campanha.
“A FBF está se adequando após a eleição. Temos que pensar no futebol de Brasília. Isso (não divulgação do regulamento) é uma coisa mínima na qual não devemos nos preocupar”, opinou o presidente do Ceilandense, Marcelo Cruz.
Presidente do Gama até o próximo sábado, quando acontecerá a nova eleição do clube, Oldemar Antunes lamentou esse problema, justamente em um momento delicado para o futebol candango. “A Federação (Brasiliense de Futebol) é complicada. No último arbitral, eles colocaram até em pauta a suposta irregularidade do Legião, que disputa campeonato há anos. Mas é assim que funciona as coisas por aqui. A federação manda e a gente obedece”, alfinetou o cartola.
Estádios
Uma das causas alegadas pela FBF para não divulgar em tempo hábil o regulamento da competição foi a Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sobre a situação atual dos estádios locais, que não teriam condições de uso.
No primeiro arbitral, o presidente Jozafá Dantas garantiu que alguns palcos estariam em aptos para o torneio, algo que foi confirmado na tabela do certame. A redução no número de campos faz com que times tenham que dividir o mando.
Gama e Botafogo-DF seguem no Bezerrão. Assim como em anos anteriores, Ceilandense e Ceilândia utilizarão o Abadião. Já o Legião dividirá o Augustinho Lima com o Sobradinho. O Brasília jogará no Serejão, assim como o Brasiliense. Capital (Cave), Brazlândia (Chapadinha), Unaí-MG (Rio Preto) e Luziânia-GO (Serra do Lago) são os únicos que terão a exclusividade de estádios.