Mais do que arquitetar um bom esquema tático e usar o poder da conversa para controlar os nervos dos jogadores do Atlético-MG, o técnico Cuca conta com a fé para reverter o placar de 2 x 0 da partida de ida diante do Olímpia.
Hoje, às 21h50, o treinador deve recorrer à camisa de Nossa Senhora, da qual é devoto, em busca da paz interior – ele luta por um título de expressão e a Libertadores seria perfeita. Foi “uniformizado” com ela que Cuca acompanhou o Atlético-MG tirar desvantagem semelhante nas semifinais diante do Newell’s Old Boys.
“Dei um descanso para ela (Nossa Senhora) nos últimos jogos, mas hoje deu certo, tinha de vir comigo. Acredito muito em sorte. Quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho. A gente não torce contra o adversário, a gente torce para o nosso jogador defender e a gente ganhar. Nossa Senhora está comigo sempre. Foi também a fé que nos levou” disse o treinador logo após a partida que rendeu a vaga na decisão.
Reforçado pela fé de quase 65 mil atleticanos que estarão hoje no Mineirão, Cuca tem 90 minutos para sua prece ser atendida: bater o Olímpia por 2 x 0 e ao menos levar a disputa para a prorrogação.
Ajuda
De acordo com Rubens Morais Gomes, o Frei Rubão, a religiosidade do técnico do Galo pode contribuir. “A fé é capaz de fazer coisas maravilhosas. Ela transforma o impossível em possível. Existe o favorecimento (do Olímpia no placar), mas o pensamento positivo do Cuca e dos jogadores pode mudar isso”, diz Frei Rubão.
Corintiano e, como tal, atual campeão da Libertadores, o frade acredita que o título estará em boas mãos caso seja passado ao Atlético-MG. “A pessoa do Tite no Corinthians tem mostrado que acreditar até o final dá certo. Tem que mostrar fé. Creio que a fé do técnico do Atlético pode levá-lo ao título”. A opinião de Frei Rubão é compartilhada por Frei Henrique Arguilar Filho. “A espiritualidade pode ajudar em qualquer trabalho. Os bons pensamentos e o conjunto desses valores ajudam com certeza.”
Ronaldinho decreta: ataque total
Mais de 100 jornalistas se espremeram ontem na sala de imprensa da Cidade do Galo para ouvir Ronaldinho Gaúcho, o grande personagem desta final da Libertadores. E o craque falou justamente aquilo que o torcedor do Atlético-MG gostaria de ouvir de um jogador com o seu currículo.
“Não vamos ter o menor pudor em atacar. Se o Olímpia ficar se defendendo, vai ser um jogo de ataque contra defesa. Vamos partir para cima, buscar o gol desde o primeiro minuto e encurralar eles para marcar um gol logo no início e empolgar ainda mais a torcida”, avisou o meia atleticano.
O título da Libertadores consagraria a volta de Ronaldinho Gaúcho ao futebol brasileiro depois de o craque ter construído uma história de sucesso na Europa. Desde a sua transferência do Milan para o Flamengo, em 2011, ele conquistou dois campeonatos estaduais (um Carioca e um Mineiro) e viveu muitos altos e baixos.
Um desses momentos de baixa foi justamente no primeiro jogo da decisão da Libertadores, semana passada, em Assunção, no Paraguai, quando, apático, chegou a ser substituído no segundo tempo da derrota por 2 x 0 para o Olimpia. Agora, ele espera se redimir.
Humildade
“Tenho sorte em finais, costumo fazer gols e espero que essa sorte continue. Mas sempre penso no grupo e quero que seja o dia do time do Atlético e não do Ronaldinho. Quero ajudar a equipe com um bom passe, uma assistência, e entrar para a história do clube com esse título”, avisou o astro de 33 anos.
A inédita taça também é vista pelo craque como a chance de retribuir o apoio recebido. Quando a sua mãe, Dona Miguelina, lutava contra um câncer, ela ganhou da torcida uma faixa com a frase “Fé em Deus” no jogo contra o Grêmio, pelo Brasileirão do ano passado.
É difícil, mas já aconteceu
Para escrever o capítulo mais glorioso da sua história, o Atlético-MG tem de torcer para o raio cair duas vezes no mesmo lugar. Como perdeu por 2 x 0 no jogo de dia no Paraguai, o time mineiro precisa vencer o Olimpia por dois gols de diferença para levar o jogo para a prorrogação. Isso já aconteceu uma vez no Mineirão diante desse mesmo adversário paraguaio. Foi em 1992, na final da Copa Conmebol.
O time mineiro também vai precisar que uma virada que ocorreu somente uma vez em 53 anos de história da Libertadores aconteça novamente. Apenas em 1989, quando o Atlético Nacional, da Colômbia, perdeu o primeiro duelo justamente para o Olimpia, por 2 x 0, é que uma equipe conseguiu reverter uma vantagem desse tamanho para ser campeã.
Desfalques
O Atlético-MG não terá os dois laterais titulares, Marcos Rocha e Richarlyson, ambos suspensos. Na direita, Cuca faz mistério, mas Michel é o mais cotado para ficar com a vaga. Na esquerda, a entrada de Junior César é certa. Na frente, Bernard volta de suspensão é a esperança atleticana.