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Futebol

Farto com atraso salarial, Gabriel anuncia saída e surpreende diretoria

Arquivo Geral

16/12/2014 16h48

No fim da noite de segunda-feira o Botafogo foi informado que o volante Gabriel ingressou na Justiça pedindo seu desligamento do Glorioso. O jogador alega que o clube lhe deve mais do que três meses de salários atrasados, o que já constitui o direito de sair de maneira unilateral. Além disso, existem pendências relativas aos direitos de imagem e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A informação causou espanto ao presidente Carlos Eduardo Pereira e a membros do departamento de futebol.

Gabriel vinha sendo tratado como prioridade pela atual diretoria. Mesmo dando entrevistas dizendo que disputaria a Série B e fazendo juras de amor ao Glorioso, o jogador acabou indo para a Justiça. A ideia dos dirigentes era negociá-lo com o Cruzeiro, em uma troca que provavelmente envolveria a chegada do atacante Dagoberto a General Severiano. O advogado do jogador, Rui Fernando Almeida Dias dos Santos Júnior, disse que a Justiça deverá nas próximas horas informar a CBF da liberação e explicou os motivos do jogador.

“Foi uma questão financeira mesmo, pois a diretoria em nenhum momento conversou com o jogador sobre os atrasos salariais e não mostrou sinais de que poderia recuperar a saúde financeira do clube. O Gabriel relutou em tomar essa decisão, que foi baseada apenas em questões financeiras”, disse Rui em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

A diretoria ainda não se posicionou oficialmente, mas, em entrevista ao jornal O Dia, o presidente lamentou a decisão de Gabriel. “Foi mais um dia triste, mas não chegamos ao fundo do poço. Vamos tentar cassar essa tutela antecipada. Sabemos que é difícil, mas não vamos desistir, mesmos sabendo que nesses casos a jurisprudência é favorável ao jogador”, afirmou o presidente.

Apesar de prometer lutar na Justiça, o presidente do Botafogo já trabalha com a ideia de não poder contar mais com o jogador. Assim, a prioridade continua sendo a manutenção do goleiro Jefferson, que tem contrato até 2015 e está disposto a permanecer. O clube já chegou a um acordo sobre a sua valorização salarial, faltando apenas encontrar a melhor maneira de pagar a dívida de R$ 2 milhões.

Sobre reforços, o clube não deverá fazer muitas movimentações até voltar a ser incluído no Ato Trabalhista, o que pode acontecer ainda esta semana. Se tiver sucesso nesta empreitada, o Glorioso deixaria de sofrer com 100% de suas receitas penhoradas, ganhando fôlego para resolver problemas imediatos e contratar alguns jogadores, já que o elenco atual conta com poucas opções.

Ao todo 17 jogadores foram dispensados pelos dirigentes no fim da semana passada, isso sem falar em Gabriel, que saiu de maneira unilateral, e as peças que haviam sido dispensadas na reta final do Brasileirão: os laterais Edilson e Júlio Cesar, o zagueiro Bolívar e o atacante Emerson Sheik.

Fora de campo a diretoria deixou encaminhada a renovação de contrato para que a Puma continue sendo a fornecedora de material esportivo do Botafogo por mais uma temporada. O clube vinha negociando com outras empresas.

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