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Futebol

Extradições são concluídas antes do prazo e julgamento gera expectativa

Arquivo Geral

28/10/2015 15h54

Cinco meses e um dia após a deflagração do escândalo de corrupção que se abateu sobre a Fifa, o último dos sete dirigentes presos no fim de maio teve sua extradição autorizada pela Justiça Suíça. Após ser interrogado, José Maria Marin aceitou ir aos Estados Unidos para julgamento e agora se junta aos outros seis dirigentes que, desde de julho, foram extraditados um a um. A Procuradoria, que tinha estipulado prazo de seis meses para o trâmite do processo, finalizou as extradições com cinco meses de trabalho. Agora, os indiciados aguardam o parecer da Procuradoria Geral de Nova York sobre o julgamento, o que aumenta as expectativas.

Fora os sete dirigentes presos em maio, além de outros dois indiciados, Jack Warner e Nicolás Leóz, que não foram detidos em Zurique, cinco empresários ligados ao futebol, entre eles o presidente da Traffic, também se entregaram à Justiça por conta de negociações de direitos de transmissão e demais transações com as federações. Essas 14 pessoas são acusadas de terem desviado, desde a década de 1990, cerca de 150 milhões de dólares (algo em torno de R$ 600 mi à cotação atual) em propinas e pagamentos irregulares.

Responsáveis por ajudarem a desvendar todos os meandros do esquema ilícito envolvendo os dirigentes, Andrew Jennings, jornalista britânico, e Chuck Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf, colaboraram nas investigações da Justiça suíça em parceria com o FBI desde dezembro de 2014. Outro delator do esquema, o empresário brasileiro José Hawilla, de 71 anos, assumiu a culpa pelos crimes financeiros no fim do último ano e já devolveu cerca de 25 milhões de dólares (cerca de R$ 95 mi) aos cofres do Departamento de Justiça norte-americano.

“A corrupção é enraizada, sistêmica e profundamente enraizada tanto no exterior quanto aqui nos Estados Unidos. Ela se estende por pelo menos duas gerações dos funcionários do futebol que, tal como alegado, abusaram da sua posição legítima para adquirirem milhões de dólares em suborno e propina.Com essa ação, o Departamento de Justiça pretende acabar com tais práticas corruptas e com a má conduta, fazendo todos os malfeitores responderem no tribunal”, declarou a Procuradora Geral Loretta Lynch à época das prisões.

Se, detidos os dirigentes, a perspectiva era de que as polêmicas que rondavam a Fifa amenizassem; a previsão não se confirmou e a crise política na Fifa adquiriu novos contornos, instalando-se, inclusive, na cúpula de alto escalão da entidade. Em setembro, quatro meses após as prisões, o então secretário-geral da Fifa Jêrome Valcke, cartola que participou da organização da Copa do Mundo de 2014, foi acusado de envolvimento em um lucro ilegal com relação aos ingressos.

Na esteira da acusação contra Valcke, a Fifa resolveu abrir uma investigação interna e, após resolução do Comitê de Ética da entidade, decidiu suspender por um período de 90 dias Joseph Blatter e Michel Platini, por conta de uma transação bancária escusa, realizada entre ambos mediante a um “acordo de cavalheiros” entre 1998 e 2002. Com o processo de extradição dos dirigentes ainda em tramitação, aliado às polêmicas acerca da corrida eleitoral na Fifa, a extradição do último dirigente acusado foi autorizada um dia depois da oficialização dos sete candidatos ao pleito presidencial.

Além dos dirigentes e cartolas ligados à crise política na Fifa exclusivamente pelo viés do futebol, cinco empresários, na maior parte sul-americanos, também foram indiciados por conta da conduta ilícita. Aaron Davidson, presidente geral da Traffic Sports, foi autuado; assim como o argentino Alejandro Buzarco, dono da Torneos y Competencias, e Hugo e Mariano Jinkins, responsáveis pela Full Play, empresas que mediavam a venda dos direitos de transmissão.

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