Nos últimos anos, o futebol candango foi o campo de trabalho do técnico Marcos Soares, 40. Após rodar por vários clubes e conquistar o título local, o treinador viu a carreira “travar” por falta de oportunidades. Para melhorar o currículo e não desistir da profissão, Soares resolveu estudar e se qualificar. Fez estágios no Barcelona , Atlético de Madri (Espanha) e Bayern de Munique (Alemanha), participou da comissão técnica do Irã no Mundial de 2014 e percorreu o País. A persistência deu certo para melhorar o CV. Hoje ele comanda o time sub-20 mais cobiçado do Brasil: o Santos.
Como foi o convite para treinar a equipe sub-20 do Santos?
Antes de terminar o estágio no Santos, deixei meu currículo para oportunidades futuras. Três semanas depois me ligaram. Soube que 60 pessoas mandaram currículo e tive a sorte de ser entrevistado. Falei sobre o que penso de futebol por 45 minutos e eles me fizeram perguntas. Depois fui chamado.
Revelar bons jogadores muitos clubes conseguem, mas o Santos parece que “emplaca” mais jogadores. Qual o segredo?
É a forma de trabalhar. Aqui os jogadores têm tranquilidade para subir de categoria. Em outros times eles passam pelo sub-20 e têm que procurar outro clube para jogar porque não há espaço. Aqui eles sabem que vão jogar.
Como é feita essa transição?
Sempre alguém do sub-20 vai treinar no profissional porque eles precisam, então sendo observados. O Dorival gosta de assistir treinamentos. É algo natural. O Santos hoje tem categoria até sub-23, a maturação do atleta é diferente.
O clube pensa em ter um padrão tático desde a base até o profissional, como faz o Barcelona?
É difícil ter gente de qualidade e com vontade, pensando e vivendo o clube o tempo todo. Aqui nós temos. A ideia é formatar o padrão e colocá-lo em prática em 2016.
E com o Dorival Júnior, há um contato diário?
Não dá para conversar muito porque os treinos são no mesmo horário, mas a gente se fala, sim. Trocamos informações e ele sempre me recebeu muito bem.
Você fez estágios no exterior e no Brasil. Qual foi mais proveitoso?
O que pude interagir mais foi com o Dorival Júnior. Em 2013, no Flamengo, trocamos muitas informações. Nos outros não tive muito contato, não fui inserido no dia a dia. Em segundo lugar foi com o Carlos Queiroz, mesmo em uma função de logística (na Copa do Mundo de 2014, com o Irã), ele me fez sentir parte do grupo.
Dois trabalhos no Brasil. Ficou decepcionado com os estágios na Europa?
De jeito nenhum. Foram diferentes. Lá eu colocava um terno e batia na porta dos clubes. Chegava a conversar, assistia aos treinos, mas não estava inserido no trabalho. O Marcelo (Lins), ex-preparador do Bayern de Munique até me abriu as portas lá. A Europa também me abriu portas.
E o futebol candango. Morreu para você?
Não dá para negar (um convite). A ideia era sair daí e me destacar. Depois que você passa pelos maiores clubes do DF não há muito para onde ir. O campeonato não é divulgado, então é difícil aparecer.
Quando esteve aqui, pensou em desistir da profissão?
Quando estava trabalhando, não. Mas quando você está desempregado fica sem saber o que fazer. Tenho duas filhas, cheguei a ficar dez meses desempregado e passou sim pela cabeça fazer alguma coisa diferente.