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Futebol

Estudo e perseverança levaram Marcos Soares a assumir sub-20 do Santos

Arquivo Geral

30/10/2015 7h25

Nos últimos anos, o futebol candango foi o campo de trabalho do técnico Marcos Soares, 40. Após rodar por vários clubes  e conquistar o título local, o treinador viu a carreira “travar” por falta de oportunidades.  Para melhorar o currículo  e não desistir da profissão, Soares resolveu estudar e se qualificar. Fez estágios no Barcelona , Atlético de Madri (Espanha) e Bayern de Munique (Alemanha),  participou da comissão técnica do  Irã no Mundial de 2014 e  percorreu o País. A  persistência  deu certo para melhorar o CV. Hoje ele comanda o time sub-20 mais cobiçado do Brasil: o Santos.

Como foi o convite para treinar a equipe sub-20 do Santos?

 Antes de terminar o estágio no Santos, deixei meu currículo   para oportunidades futuras. Três semanas depois me ligaram. Soube que 60 pessoas mandaram currículo e  tive a sorte de ser entrevistado. Falei sobre o que penso de futebol  por 45 minutos e   eles me fizeram perguntas. Depois fui chamado.

Revelar bons jogadores  muitos clubes conseguem, mas o Santos parece que “emplaca” mais jogadores. Qual o segredo? 

É a forma de trabalhar. Aqui os jogadores têm tranquilidade para subir de categoria. Em outros  times   eles passam pelo sub-20 e têm que procurar outro clube para jogar porque não há espaço. Aqui eles   sabem que vão jogar.  

Como é feita essa transição?

Sempre alguém do sub-20 vai treinar no profissional porque eles precisam, então sendo observados.    O Dorival   gosta de assistir treinamentos. É algo natural. O Santos hoje tem categoria até sub-23, a maturação do atleta é diferente.  

O clube pensa em ter um padrão tático  desde  a base até o  profissional, como faz o Barcelona?

É difícil ter gente de qualidade e com vontade, pensando  e vivendo o clube o tempo todo.  Aqui nós temos.   A ideia é formatar o padrão e colocá-lo em prática em 2016.   

 E com o Dorival Júnior,  há um contato diário?

Não dá para conversar muito porque os treinos são no mesmo horário, mas a gente se fala, sim. Trocamos informações e  ele sempre me recebeu muito bem.

Você fez estágios no exterior e no Brasil. Qual foi mais proveitoso?

O que pude interagir mais foi com o Dorival Júnior. Em 2013, no Flamengo, trocamos muitas informações. Nos outros não tive muito contato, não fui inserido no dia a dia.  Em segundo lugar foi com o Carlos Queiroz, mesmo em uma função de logística (na Copa do Mundo de 2014, com o Irã),  ele me fez sentir parte do grupo. 

 Dois trabalhos no Brasil. Ficou decepcionado com os estágios na Europa?

De jeito nenhum. Foram diferentes. Lá eu colocava um terno e batia na porta dos clubes. Chegava a conversar, assistia aos treinos, mas não estava inserido no trabalho. O Marcelo (Lins), ex-preparador do Bayern de Munique até me abriu as portas lá. A Europa também me abriu portas.

E o futebol candango. Morreu para você?

Não dá para negar (um convite).   A ideia era sair daí e me destacar. Depois que você passa pelos maiores clubes do DF não há muito para onde ir. O campeonato não é divulgado, então é difícil aparecer.

Quando esteve aqui, pensou em desistir da profissão?

Quando estava trabalhando, não. Mas quando você está desempregado fica sem saber o que fazer. Tenho duas filhas, cheguei a ficar dez meses desempregado e passou sim pela  cabeça fazer alguma coisa diferente.

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