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Futebol

Estrelas pedem altas salários e acertos ficam inviáveis

Arquivo Geral

16/01/2013 9h03

Petronilo Oliveira e Roberto Wagner

torcida@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Eles já foram jovens promessas, alcançaram rapidamente o status de ídolo e hoje aproveitam suas habilidades para negociar valores milionários. A exemplo do papel exercido pelo golpista Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) no filme Prenda-me se for capaz, do cineasta  Steven Spielberg, jogadores como o experiente Riquelme (sem clube), Robinho (Milan-ITA), Carlos Eduardo (Rubin Kazan-RUS), Diego Lugano (PSG-FRA) e Darío Conca (Guangzhou Evergrande-CHN) parecem estar sempre um passo à frente dos que teimam em capturá-los: os clubes brasileiros. 

 

Se na trama do cineasta norte-americano o agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks) não consegue prender o gângster habilidoso, o mesmo ocorre no mercado do futebol. Sem praticar atos ilícitos, mas tão eficientes quanto o personagem, os alvos fixos dos times do País não conseguem ser apreendidos. Multa rescisória elevada, salários astronômicos e leilões por valores mais altos são alguns dos motivos. 

 

“Isso (clube brasileiro tentando adquirir atleta renomado) é como entrar numa loja de automóveis, ver uma Ferrari e querer comprá-la. Sem ter dinheiro, não dá”, compara o empresário Eduardo Uram, em entrevista ao Jornal de Brasília, por telefone.

 

Robinho, por exemplo, era pretendido por Flamengo, Santos, São Paulo, Grêmio e Atlético-MG. O salário pedido por ele – cerca de R$ 1 milhão mensal – foi empecilho para todos os interessados em repatriá-lo. O argentino Riquelme entra em categoria parecida. 

 

Embora não tenha multa rescisória, pois está sem clube, o salário de aproximadamente R$ 500 mil por um atleta de 34 anos não é bem visto. “O futebol brasileiro está caro e os jogadores sabem disso. Eles querem voltar ganhando salário de Europa, e isso os clubes não podem pagar”, ressalta o agente Gilmar Rinaldi.

 

Também argentino, o meia Conca foi procurado por Fluminense e Flamengo. Mas por ser um dos atletas mais bem pagos do planeta, a transferência se tornou inviável. 

 

Leilão é um trunfo para agentes

Quem não lembra do que fez Assis, empresário e irmão de Ronaldinho Gaúcho, no fim de 2010, promovendo  um verdadeiro leilão quando o dentuço resolveu deixar o Milan e retornar ao Brasil? O procurador do atleta deixou torcedores do Palmeiras e Grêmio enfurecidos quando anunciou o acerto de R10 com o Flamengo.

 

Entretanto, criar uma competição financeira entre os clubes não é característica apenas de Assis. Outros agentes fazem o mesmo jogo. Carlos Eduardo, do russo Rubin Kazan, chegou ao Brasil no início da semana e segue fazendo mistério sobre o seu futuro. Flamengo e Santos são os mais interessados. 

 

Enquanto isso, o atacante Vargas foi desejo de inúmeros clubes, vários desistiram por conta dos leilões, como São Paulo e Flamengo.

 

“Especulação faz parte do futebol. Pode até ter um lado ruim, mas para nós (procuradores) e jogadores é bom, porque valoriza e vira leilão. Ruim é ter jogador escanteado que ninguém quer”, disparou o agente Marcos Malaquias.

 

Água mole não fura pedra dura

Com dinheiro em caixa, mas ainda sem o poder de compra dos clubes europeus, os times brasileiros apelam para a criatividade na hora de contratar. Assustados com as milionárias multas rescisórias, os dirigentes nacionais usam a tática da marcação cerrada sobre os próprios jogadores para tentar uma redução do valor. 

 

Quando o esforço do próprio atleta não é o suficiente para convencer o clube de que a transferência é benéfica, entram em ação os famosos planos B: proposta de empréstimo, compra de parte dos direitos ou até mesmo uma troca.

 

Na maioria dos casos, o resultado é irreversível. Sem a necessidade real de se desfazer de jogadores, os clubes europeus tendem a recusar as propostas que não cheguem à quantia da multa rescisória.

 

Parecido com outros

Um exemplo recente está nas inúmeras tentativas dos clubes nacionais de contratar o atacante Nenê. Um dos destaques do Paris Saint-Germain, o brasileiro era cotado por Santos, Flamengo, São Paulo, Grêmio e Atlético-MG. Cada um apresentou uma forma de pagamento, mas nenhum chegou ao valor total da multa. O resultado foi o de quase sempre. Portas fechadas para o Brasil e um acerto com cifra astronômicas para o Qatar. 

 

Lá no mundo árabe, ele receberá algo em torno de R$ 1 milhão por mês. Para tirá-lo da França, o Al-Gharafa pagou R$ 13 milhões. 

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