Depois de perder a invencibilidade dentro de casa na temporada diante do Vasco, o Santos voltou à Vila Belmiro no início deste sábado para tentar complicar definitivamente a vida do ameaçado Goiás e se manter no encalço do São Paulo, campeão simbólico do primeiro turno do Brasileirão. E conseguiu, graças à estrela do técnico Wanderley Luxemburgo.
Ao ver seu time apresentar um futebol sofrível no primeiro tempo, Luxa abandonou o esquema com três zagueiros, fixou Kléber no meio-campo, colocou Carlinhos na esquerda e viu a dupla de canhotos garantir a vitória. Primeiro com Kléber, marcando um golaço de falta, e depois com Carlinhos, concluindo com rara beleza uma inversão de jogo do próprio Cléber.
Com os 2 x 1, o Peixe chegou a 35 pontos na tabela e continua sua perseguição ao São Paulo, que tem 37, mas dois jogos a menos. O Goiás, por outro lado, chegou ao seu 11º jogo sem vitória e segue ameaçado pelo fantasma do rebaixamento.
O primeiro momento claro de gol do duelo deste sábado demorou a sair e veio através de uma bola parada aos dez minutos. Kléber colocou na área, a zaga goiana afastou e Maldonado, de fora da área, obrigou Harlei a fazer bonita defesa. No rebote, Leandro perdeu um gol incrível, mas o assistente já havia assinalado impedimento.
A partida seguiu equilibrada e o Goiás, com Welliton, levou perigo ao gol de Fábio Costa em duas oportunidades, ambas levando vantagem em cima do paraguaio Manzur antes de finalizar.
Jogando muito pelo lado direito, já que Kléber atuou praticamente como meia-armador e Cléber Santana errou tudo o que tentou, o Peixe dependeu da inspiração de Dênis para chegar perto da meta de Harlei. E foi com o camisa quatro que o time da Vila criou outra grande oportunidade, de fora da área, para boa defesa do arqueiro goiano.
Ainda antes do intervalo, mais uma vez com Kléber, desta vez cobrando falta direto para o gol, o grito de “uhhhh” ecoou nas arquibancadas. Harlei, de novo, saltou com estilo e impediu a explosão da torcida santista.
A explosão veio, mas com o torcedor solitário do Goiás, aos 37 minutos. Souza recebeu no meio da zaga santista, se livrou de Maldonado e Ronaldo e fuzilou Fábio Costa, que nada pôde fazer: 1 x 0, para desespero de Wanderley Luxemburgo, que viu o seu Santos descer para os vestiários sob as vaias da torcida.
Em paz de novo
Em desvantagem, o Peixe voltou para a etapa final com Carlinhos e Rodrigo Tabata nas vagas de Ronaldo e Jonas, respectivamente, disposto a reconquistar a confiança dos torcedores. O time melhorou e logo aos dois minutos, depois de cruzamento de Carlinhos, Cléber Santana teve a chance do empate, mas foi travado pela zaga goiana.
O desafogo veio oito minutos depois. Kléber, com maestria, cobrou falta da entrada da área e enganou Harlei, que esperava uma pancada de Cléber Santana: golaço e igualdade no placar da Vila famosa.
O empate tornou o jogo muito mais interessante e as chances de gol começaram a aparecer de ambos os lados. Pelo Goiás, Vitor, o melhor da equipe verde, teve nos pés a oportunidade de garantir a vitória após bela jogada individual, mas parou na ponta dos dedos de Fábio Costa. Também em linda jogada individual, Cléber Santana passou pelo primeiro marcador, deu uma meia-lua no segundo e bateu firme, mas nas redes pelo lado de fora.
Empurrado pela torcida, que voltou a apoiar a equipe, o Santos não demorou para virar. Kléber, o melhor em campo, fez linda inversão para Carlinhos. Aliando velocidade e habilidade, o lateral da seleção brasileira sub-20 partiu para cima do marcador, fez a finta e soltou o pé, decretando a vantagem santista e a paz com a torcida.
Luxemburgo, que chegou a discutir com alguns torcedores no intervalo por chamarem alguns jogadores de mercenários, selou a paz definitiva ao sacar Leandro, perseguido pela torcida, para a entrada de Wellington Paulista, que por pouco também não deixou sua marca.
Na quarta-feira o Peixe vai a Curitiba encarar o Atlético-PR, às 22 horas, na Arena da Baixada. No mesmo dia, só que às 19h30, o Goiás abre as portas do Serra Dourada para tentar por um fim na má fase ao receber o Fluminense, também em crise.