A decisão inicial do governo da Bahia, divulgada pelo governador Jaques Wagner, de implodir o estádio da Fonte Nova, em Salvador, após a tragédia do último domingo que culminou com a morte de sete pessoas com a queda do piso da arquibancada durante um jogo do Bahia, é considerada precipitada por membros do Sinaenco (Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia).
De acordo com o arquiteto Vicente de Castro Mello, chefe do estudo feito pela entidade sobre a situação dos estádios brasileiros, é preciso ter mais calma antes de tomar qualquer medida. “Uma decisão sobre engenharia tem de ser feita com tempo. No caso da Fonte Nova, uma implosão poderá custar muito mais do que uma reforma completa ou a construção de outro estádio em outro local. Acho que foi uma declaração mais política, para acalmar os ânimos”, afirmou.
Para realizar o estudo, Vicente visitou 27 estádios em 18 cidades brasileiras e a Fonte Nova foi considerada o pior do país. “Não precisava entender muito de estrutura para ver os problemas que haviam lá. As pessoas falam que têm laudos, permissões. Fico triste pela imagem de fatalidade do fato”, disse o arquiteto, que esteve em Salvador no começo de agosto.
Responsável pela regional da Bahia, o engenheiro Claudemiro Santos Júnior também compartilha da opinião de Vicente sobre a implosão do estádio e pede mais atenção com esses problemas. “É preciso uma política de manutenção. Não tínhamos elementos para interditar o estádio, já que não foi feito uma vistoria técnica, mais precisa. Apenas chamamos a atenção para fazer melhorias”, contou.
Sobre outros estádios do Brasil com problemas, Vicente de Castro Mello ressaltou casos preocupantes, mas em menor escala que o ocorrido em Salvador. “O Couto Pereira (do Coritiba), o Olímpico (do Grêmio), o Serra Dourada (em Goiânia) e o Machadão (em Natal) têm algumas fissuras no concreto, mas são coisas menos graves. Dá para arrumar sem causar grandes prejuízos”, revelou.