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Futebol

Esfacelado, Corinthians não vê troca de técnico como solução

Arquivo Geral

13/08/2006 0h00

A oposição corintiana não tem muita esperança na recuperação do time neste Campeonato Brasileiro. Segundo dois conselheiros, a divisão de poder entre o clube e a parceira MSI criou um cenário em que uma simples troca de treinador não será suficiente para restabelecer a ordem no Parque São Jorge.

O Corinthians está sem técnico desde a noite deste sábado, quando Geninho pediu demissão após a derrota para o Figueirense. Nos bastidores, a informação é que o alvo da diretoria é o técnico do Internacional, Abel Braga. Carlos Alberto Parreira, que negocia com a seleção sul-africana, e Emerson Leão, atualmente no São Caetano, também encabeçam a lista de preferidos.

Se não bastasse a falta de um treinador, o Timão passa por diversos problemas dentro do elenco. Desde que a MSI entrou no futebol corintiano, em dezembro de 2004, já foram registradas sete brigas entre jogadores durante os treinos. A última, envolvendo Marcelinho Carioca e Mascherano, escancarou o racha que existe no grupo.

Marcelinho e Ricardinho não se bicam desde 2001, quando os dois se estranharam e o episódio culminou na saída de Marcelinho do clube. Carlos Alberto, que divide quarto na concentração com o ídolo da torcida, já entrou em atrito com Mascherano e Carlitos Tevez. Roger, insatisfeito, conversou com Geninho e sequer foi para o banco contra o Figueirense.

Além da fogueira de vaidades, existe ainda a possibilidade da saída de Tevez. O principal jogador da equipe pediu silêncio à torcida corintiana no empate contra o Fortaleza há quatro rodadas e, após ter o carro agredido por torcedores, cogitou deixar o clube. Uma negociação, aparentemente, só não foi concretizada porque nenhum clube apresentou proposta a Kia Joorabchian.

Para os conselheiros Antonio Roque Citadini e Romeu Tuma Junior, que já estiveram à frente do departamento de futebol do clube no passado, têm a convicção de que a disputa de poder entre Corinthians e MSI reflete diretamente no rendimento dos atletas em campo.

“Falo, com conhecimento de causa, que esses problemas com certeza influenciam no elenco. O técnico não sabe quem é seu superior. E se a própria diretoria não respeita a figura do treinador, tomando decisões que competem à comissão técnica, como os comandados vão respeitar?”, indaga Tuma Jr. “Os interesses de bastidores influenciam todo mundo, inclusive os jogadores”, concorda Citadini.

Tuma exemplifica citando a atitude de Mascherano, que atirou o colete no chão e abandonou o treino ao ser repreendido por Geninho após a confusão com Marcelinho. “Normalmente, ele não jogaria mais pelo Corinthians. Mas, com essa situação, você não consegue nem mensurar se o jogador é indisciplinado. O jogador não sabe se seu chefe é o Kia, o Dualib ou o treinador e fica sem contração para trabalhar”, diz.

“O Corinthians já é uma pressão naturalmente grande e se você aliar à isso uma pressão interna, não tem quem agüenta”, continua o conselheiro, que mostra-se cético com relação à escolha do novo treinador. “Como você tem um comando dividido, nenhum técnico vai dar certo. Um novo técnico pode dar um novo alento, um novo ânimo, mas não vai mudar esse estado de coisa”, sentencia.

Citadini tem opinião semelhante. “O problema é a MSI, que é um caos. Qualquer tipo de treinador tem problema com uma administração dessas. Uma média de três meses por técnico é muito baixa”, lamenta, prevendo mais um problema imediato. “A situação de bagunça complica até na hora de escolher um novo técnico. Espero que saia uma definição logo”, diz, garantindo não ter preferência por um nome: “Minha preferência é que não tivesse a MSI”.

Para Tuma, o novo escolhido para comandar o Corinthians tem de “chamar a responsabilidade de tudo o que está acontecendo para ele, o que é difícil”. “O novo treinador tem de conseguir passar para o elenco a confiança de que é ele quem manda no futebol. Tem que fechar a porta do vestiário para os problemas do clube. Os caras recebem salário e têm de jogar bola”, diz.

Desanimado, Citadini aponta uma solução mais exótica: “A primeira coisa que o novo técnico tem para fazer é rezar”, comenta.

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