Cinco jogos e cinco gols foram suficientes para despertar a atenção de outros clubes mais organizados. Endividado, o Corinthians serviu apenas como vitrine e nem cogitou tentar cobrir a proposta do Internacional de Porto Alegre, que pagou uma multa rescisória de pouco menos de R$ 500 mil e levou embora o artilheiro do Paulistão da noite para o dia.
“Temos de entender que perdemos o jogador para um time que é o campeão mundial, estabelecido na cidade onde a família dele vive”, justificou Edvar Simões, admitindo a falta de força do Timão para disputar Christian com o Internacional de igual para igual. “A bonança dos outros clubes diz respeito a eles. Prefiro não estabelecer um quadro comparativo com Inter e São Paulo. O futebol é cíclico”, prosseguiu o diretor de futebol corintiano.
O temor da Fiel é que a saída de Christian tenha sido só mais um indício de uma tragédia que vem sendo anunciada desde que Kia Joorabchian voltou para a Inglaterra: mais salários atrasados, ações trabalhistas, jogadores de saída, processos de outros clubes e a ameaça da Fifa de rebaixar o Timão caso não sejam pagos os oito milhões de euros ao Lyon, da França.
Elegante, Christian garantiu que os problemas administrativos e os atrasos de salário não pesaram na sua decisão de deixar o Timão. Leão esperava lealdade. A diretoria alvinegra segue esperando por um milagre, que seria a chegada de investimentos de Boris Berezovsky, possibilidade que vem sendo especulada pelo empresário Renato Duprat desde 2006.
“Estamos trabalhando dentro da nossa realidade. O Corinthians passa por um momento muito difícil. Perdemos 15 jogadores nos últimos meses e confiamos na experiência do nosso treinador. Temos ouvido o representante dos investidores (Renato Duprat) e esperado que a parceria se solidifique. Desta forma, situações melhores virão. De outra forma, não sei o que vai acontecer. É uma pergunta que não cabe a mim responder”, admitiu Edvar Simões, passando a bola para Alberto Dualib. A resposta deve demorar para chegar. O sofrimento da Fiel, não.