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Futebol

Empresa se exime de culpa na grama e culpa shows

Arquivo Geral

09/05/2008 0h00

O tão criticado gramado do Palestra Itália teve um “lado positivo” pela empresa que o implantou. De acordo com os responsáveis pela reforma no estádio palmeirense, o jogo que inaugurou o novo palco diante do Rio Preto, mesmo com as irregularidades, deve ser comemorado porque aconteceu poucos dias após a conclusão da obra.

“As pessoas acham que, como é uma reforma, quando termina a grama tem que estar perfeita. Não é assim. A grama precisa de tempo. Não tinha grama nenhuma e nós demos condições de jogo 31 dias após o fim do plantio. O time ainda jogou as finais lá, foi campeão paulista… É por esse lado que as pessoas têm que ver”, pede Roberto Gomide, presidente da World Sports.

Apesar do “feito” exaltado pelo mandatário, a situação da grama da arena alviverde deixou sua empresa em situação complicada durante o Paulistão, quando o técnico Wanderley Luxemburgo criticou os trabalhos. Na época, Gomide prometeu processar o treinador, mas avisa que a medida ainda está em análise. E ainda faz uma ressalva em algum benefício que o Verdão pode ter tido para conquistar o título estadual.

“Fizemos um gramado mais moderno, mais rápido, propício ao toque de bola. Quem garante que o time, com as características que tem, teria a mesma performance em um gramado diferente?”, questiona, ressaltando, porém, que a relação com a diretoria não ficou estremecida.

Mais do que discutir com o treinador, Gomide também não cansa de repetir que seu trabalho foram os três shows de rock realizados no estádio. “Com certeza, o que mais prejudicou o gramado do Palestra Itália foram os shows. Era um gramado novo, ainda sem maturidade e estabilidade. O peso do pessoal que assistiu ao show deixou o gramado desnivelado, ondulado, e a água acaba ficando”, explica.

“Nos últimos dois shows, o gramado ficou seis dias com a proteção por cima. A grama não pode respirar direito. Quando tiramos vimos raízes podres e ficaram aqueles espaços sem gramas plantadas”, emenda.

Os resultados das apresentações do roqueiros na grama fazem com que o especialista reforce sua contrariedade à utilização de estádios de futebol em outras atividades. Mas evita críticas aos palmeirenses.

“Em um gramado novo, eu, particularmente, não recomendo ter shows, porque descompacta e estressa a grama. Mas os shows foram acertados pela diretoria anterior, e a atual sabia que poderia trazer problemas. Eu não poderia assumir a responsabilidade por isso”, avisa.

Novo panorama: Apesar das explicações para o que se viu no estádio no torneio estadual, Roberto Gomide está otimista em relação à grama na seqüência do ano. “Depois do último show (Ozzy Osbourne, em 5 de abril), o (gerente de futebol) Toninho Cecílio, que é uma pessoa sensacional, falou pela diretoria do Palmeiras que o gramado estava nivelado, bom para jogar, e disse que não queria mais obras até o final do campeonato. Entramos nesse acordo e não mexemos”, justifica.

“Mas replantamos naquelas áreas na segunda-feira, depois de um mês do show, e terminamos ontem (quinta-feira). Como eles só jogam no dia 18, a grama vai poder descansar e tenho certeza de que nessa reta inicial do Brasileiro o gramado vai estar dentro de uma normalidade”, promete.

O empresário, contudo, informa que as dificuldades para trabalhar no Parque Antártica é grande. “O problema do Palestra Itália é o acesso dos equipamentos ao gramado, que é suspenso. Fizemos muitos esforços, com guindaste para levantar os equipamentos. Não tem acesso no Palestra Itália”.

Gomide, porém, prevê melhoras. “Nós temos um contrato de consultoria com o Palmeiras. Indicamos o que deve ser feito e a equipe técnica deles faz o trabalho. O contrato não tem prazo para terminar e quando forem construir a Arena Multiuso o projeto é de dar mais acesso ao campo, aí poderemos trabalhar melhor”, espera.

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