O evento festivo realizado nesta terça-feira para Pelé, na Rua Javari, foi mais um tumulto do que um homenagem. Torcedores, dirigentes, jornalistas, políticos em campanha e ex-jogadores se misturaram no pequeno espaço reservado para a cerimônia, no tradicional bairro da Moóca, em São Paulo.
A falta de organização fez com que uma confusão fosse formada, com direito a empurra-empurra e pequenas discussões. Acuado, Pelé inaugurou seu busto no estádio Conde Rodolfo Crespi. Para piorar toda a situação, há um erro gramatical, um emprego equivocado de crase, na placa de bronze comemorativa que lembra o gol mais bonito da carreira do eterno camisa 10. “Homenagem à (sic) Edson Arantes do Nascimento”, começa o texto.
Ao contrário do evento desta terça-feira, o gol daquele dia 2 de agosto de 1959, em partida que o Santos venceu o Juventus por 4 x 0, não merece qualquer reparo ou crítica. O gol foi marcado na trave onde atualmente fica concentrada a torcida organizada Ju-Jovem. Na ocasião, Pelé foi em direção à área, deu um chapéu em Julinho, outro em Homero e um terceiro em Clóvis. Depois, o Atleta do Século Passado aplicou um lençol no goleiro Mão de Onça e completou de cabeça para as redes.
“O soco no ar nasceu aqui, depois dos três chapéus. A torcida estava pegando no meu pé e saiu aquela comemoração”, contou o Rei do Futebol, que brincou com o ex-corintiano Zenon, capitão da seleção brasileira de veteranos, que enfrentaria, nesta tarde, o time de ex-jogadores do Juventus. “O Zenon vai fazer um gol igual ao meu hoje”, disse Pelé, sempre simpático.
Sem perder a calma mesmo diante do tumulto formado, Pelé agradeceu o carinho recebido na Javari quase 50 anos depois de seu gol mais bonito. Antes de se despedir, ele ironizou a quantidade de pessoas que garantem terem sido testemunhas oculares da história naquele dia 2 de agosto.
“Os zagueiros pelos quais eu passei foram três e mais o goleiro. A torcida que viu o jogo é que nunca saberemos. Aqui cabiam dez mil pessoas, mas mais de 100 mil pessoas dizem que estavam aqui”, afirmou Pelé.