Muito se esperava da seleção brasileira, que, até então, tinha conquistado todos os torneios disputados depois da Copa de 2006, quando Dunga substituiu Carlos Alberto Parreira. A seleção argentina, que contava com Lionel Messi e Diego Armando Maradona no comando também estava bem cotada, assim como a Inglaterra de Fábio Capello. Entretanto, quem ficou com a taça, pela primeira vez na história da competição, foi a seleção da Espanha.
Os espanhóis sempre tiveram bons times mas eram acusados de “amarelar” nos momentos decisivos. Na África do Sul, eles chegaram com muita moral por trazerem na bagagem o título da Eurocopa, conquistado dois anos antes. Comandada por Vicente Del Bosque, a Fúria mostrou o valor do seu futebol e se tornou a primeira seleção européia a conquistar um título mundial fora do seu continente.
O título foi um justo prêmio a uma equipe que se caracterizou pelos toques rápidos e envolventes. E nem a surpreendente derrota para a Suiça na primeira partida foi capaz de interromper a trajetória vitoriosa da equipe espanhola na primeira Copa disputada no continente africano.
Numa equipe homogênea, os armadores Xavi e Iniesta apareceram, ao lado do atacante David Villa, como os grandes destaques. A Espanha foi a seleção campeã com menor número de gols marcados – apenas oito – em um Mundial, mas sua defesa teve comportamento impecável, sofrendo apenas dois gols, marca apenas alcançada por franceses (1998) e italianos (2006).
Para o técnico Carlos Alberto Parreira, a Espanha mereceu o título, apesar de não mostrar qualquer novidade tática. Ele disse que o sistema do time de Del Bosque, semelhante ao utilizado pelo Barcelona, e que privilegia a posse de bola, foi sempre muito bem executado, principalmente pela categoria dos jogadores.
O atacante Ronaldo foi outro a exaltar a equipe campeã. “A Espanha foi realmente a melhor novidade da Copa. Foi uma grata surpresa, pelo padrão de qualidade que mostrou ao longo da competição”, declarou.
A Holanda, que só perdeu a invencibilidade no jogo final, também fez uma ótima Copa, com destaque para o meia Sneijder e eliminou, inclusive, a seleção brasileira. A Alemanha, que mostrou um time jovem e muito agressivo, terminou em terceiro lugar e foi uma das boas surpresas do Mundial. O quarteto dos finalistas foi completado pelo Uruguai que fez a sua melhor campanha desde 1970.
O Mundial de 2010 também foi marcado por personagens de fora do campo. Os dois principais, além de Maradona, técnico da Argentina, foram a paraguaia Larissa Riquelme e o “polvo vidente” Paul, da Alemanha.
Riquelme foi a musa da Copa do Mundo, se autodenominando a “namorada” do Mundial. A bela paraguaia apareceu muito durante as partidas de sua seleção, sempre torcendo por seu país e com o celular entre os seios, chamando a atenção da mídia internacional.
Já o Polvo Paul foi o personagem que “decidiu” o Mundial. O molusco foi o vidente de todas as partidas da Alemanha, além da final, acertando todos os oito resultados que arriscou. Morador do aquário Sea Life, em Oberhausen, na Alemanha, o polvo dava seus palpites ao escolher comer da caixa com o símbolo da seleção vencedora.
As decepções
A lista de decepções da Copa do Mundo disputada na África do Sul conta com as mais tradicionais equipes. O Brasil, eliminado nas quartas de final pela Holanda depois de uma participação irregular, é uma delas. Os brasileiros sofreram para derrotar a inofensiva Coreia do Norte e fizeram um jogo ruim contra Portugal. Após superar os fregueses chilenos nas oitavas, a seleção não passou no seu primeiro teste real no Mundial: derrota de 2 a 1 para a Holanda, o que causou a volta para casa mais cedo do que a torcida esperava.
A Itália, que chegou à África para defendeu o título mundial conquistado em 2006, ficou em último lugar em grupo considerado fraco, contando ainda com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Com uma equipe desgastada, os italianos empataram com paraguaios e neozelandeses e foram derrotados pelos eslovacos.
Na França, além da fraca campanha, os jogadores se envolveram em casos de indisciplinas. O atacante Anelka xingou o técnico Raymond Domenech, depois Ribery e Gourcuff quase chegaram às vias de fato e, enfim, o elenco fez greve de treino. Com esse clima não deu para os franceses, que foram vencidos por México e África do Sul e não passaram de um empate com o Uruguai, avançarem de fase, tendo que amargar a lanterna do Grupo A.
A Inglaterra chegou à Copa com ares de favorita, mas depois de uma campanha irregular na primeira fase, quase ficando fora da fase seguinte, e acabou sendo eliminada com goleada para a Alemanha nas oitavas de final.
Apesar de se classificarem com 100% de aproveitamento em seu grupo e com um futebol de qualidade, os argentinos sofreram para vencer o México nas oitavas de final. Em seguida, sofreram uma sonora goleada de 4 a 0 da Alemanha e deixaram a competição, assim como o Brasil, pela porta dos fundos.
Craques que fracassaram
Kaká: Ainda em recuperação de uma lesão no púbis, Kaká teve apenas alguns bons momentos na competição. Ele mostrou muita irritação durante as partidas e até foi expulso no confronto com a Costa do Marfim. Seu fraco desempenho ajuda a explicar o fracasso brasileiro.
Cristiano Ronaldo: O português foi uma decepção. Parecia mais preocupado em olhar para o telão e arrumar seu cabelo do que em repetir os dribles e chutes que fizeram sua fama.
Wayne Rooney: Outro que disputou a Copa longe das melhores condições físicas e acabou afundando junto com o time inglês.
Samuel Eto’o: O camaronês esteve bem longe do seu padrão habitual. O atacante foi uma peça apagada que não chegou a incomodar os adversários.
Lionel Messi: Apesar de ter jogado bem durante a Copa, o melhor do mundo não conseguiu suprir as expectativas de levar o título à Argentina. Sem marcar um gol sequer, o jogador viu seu companheiro de Barcelona Iniesta marcar o gol do título da Espanha.
Os destaques
Melhor jogador – Diego Forlán (Uruguai)
Artilheiro – Thomas Muller (Alemanha), David Villa (Espanha), Diego Forlán (Uruguai) e Wesley Sneijder (Holanda)
Melhor goleiro – Iker Casillas (Espanha)
Revelação – Thomas Muller (Alemanha)
Troféu Fair Play – Espanha
Classificação final
1. Espanha
2. Holanda
3. Alemanha
4. Uruguai
5. Argentina
6. Brasil
7. Gana
8. Paraguai
9. Japão
10. Chile
11. Portugal
12. EUA Estados
13. Inglaterra
14. México
15. Coreia do Sul
16. Eslováquia
17. Costa do Marfim
18. Eslovênia
19. Suíça
20. África do Sul
21. Austrália
22. Nova Zelândia
23. Sérvia
24. Dinamarca
25. Grécia
26. Itália
27. Nigéria
28. Argélia
29. França
30. Honduras
31. Camarões
32. Coreia do Norte