Marcus Eduardo Pereira e Vicente Melo
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Um dos mantras do técnico Luiz Felipe Scolari é que a torcida deve apoiar incondicionalmente a seleção brasileira na Copa das Confederações. Sempre que possível, ele reforça o pedido. Mas quando a galera resolveu apoiar, teve que se contentar em ver Neymar e companhia apenas de longe.
A frustração era evidente nos pequenos grupos de torcedores que foram ao Aeroporto JK e ao Brasília Palace Hotel recepcionar a seleção. Isso porque o público só conseguiu ver a delegação de longe. Quando conseguiu.
No aeroporto, a movimentação foi definida por um funcionário do local como “tranquila, nada fora do normal”. Os cerca de 50 torcedores que apareceram ao JK só se aglomeraram no vidro panorâmico da pista de pouso quando havia a informação que o avião da seleção havia desembarcado. O discurso uníssono era de lamentação.
“Tirei meu filho da escola para ele ver a seleção e eles não tiveram nem a consideração de passar pela torcida”, contou o corretor de imóveis Bruno Lucas, que estava no local com o filho Leonardo, de 5 anos, desde as 13h30.
No hotel
Na orla do Lago Paranoá, ainda menos pessoas esperaram para ver o grupo, perto de 30. Muito se deveu ao bloqueio em frente ao hotel. Otávio Dreyer, de 16 anos, esperou a delegação desde a manhã. Ele “matou” aula e foi embora sem ver os jogadores. A movimentação maior foi de jornalistas no local.
Saiba mais
Se os torcedores não tiveram contato com os jogadores da seleção brasileira, alguns poucos funcionários das obras de reforma do Aeroporto JK tiveram essa sorte.
Eles trabalhavam na pista quando o avião da delegação desembarcou em Brasília. Alguns chegaram a chamar pelos jogadores. Um deles ganhou um aceno de Paulinho após gritar “Vai, Corinthians”, equipe do volante.
O Time foi recepcionado no Brasília Palace Hotel por um grupo de samba na área reservada do local. Daniel Alves, Lucas e Neymar tocaram com os músicos.
Churrasco fica para depois
Quando há aglomeração de pessoas, sempre aparecem aqueles que se destacam na multidão. No Aeroporto JK, não foi diferente. Entre os cerca de 50 corajosos que se aglomeraram para ver de muito longe o desembarque em Brasília, estava Paulo “Picanha”. Aliás, “Doutor Picanha”. Foi assim que o churrasqueiro se apresentou à reportagem.
Vestido com uma camisa com a bandeira brasileira e sua marca registrada, o gaúcho de 37 anos tinha o sonho de poder ajudar a seleção brasileira de alguma maneira. O jeito dele seria fazendo um churrasco para Neymar e companhia.
Natural de Ibirubá, no interior do Rio Grande do Sul, “Doutor Picanha” confiava na ajuda do conterrâneo Felipão, gaúcho de Passo Fundo, para fazer sua parte pela seleção.
“Estou pedindo de todas as formas, mas está difícil. Mandei cartas para programas de televisão, pedi pelo Facebook…”, conta o torcedor, que diz estar apenas fazendo sua parte para ajudar o escrete canarinho.
Cornetada
Mesmo querendo ajugar, “Doutor Picanha” não deixou por menos o “bolo” dado pela seleção. “O Felipão pediu para todos os brasileiros se unirem. A Copa é no Brasil e deviam valorizar mais o brasileiro. Ao invés disso, eles (seleção), fogem.”