Escolhido para reconstruir a Seleção Brasileira após a vexatória reta final de Copa do Mundo no País, Dunga já dá lições. O técnico ressalta que montou o grupo que disputará a Copa América no Chile pensando na personalidade dos jogadores, não apenas na qualidade técnica.
“Não se pode ver só o campo, tem que se ver além. Quem vê só a bola não sabe nada de futebol”, disse o treinador, usando a filosofia ao explicar a presença de Diego Tardelli e Éverton Ribeiro, que jogam na China e nos Emirados Árabes Unidos, respectivamente, ambos países com pouca tradição no futebol.
Em relação a Tardelli, Dunga ressaltou que escalou o atacante como titular no amistoso contra o México, nesse domingo, para provar a confiança da comissão técnica em seu futebol e a resposta foi com gol na vitória por 2 a 0. E Éverton Ribeiro entrou ao longo do segundo tempo da partida no Palestra Itália.
Mas o maior exemplo de visão “além da bola” de Dunga é Fred. O volante do Shakhtar Donetsk só vai à competição no Chile porque Luiz Gustavo foi vetado fisicamente, mas sempre esteve nos planos do técnico, que cita sua experiência na gelada Ucrânia como prova de personalidade, ajudando o time a avançar na Liga dos Campeões da Europa seguidamente.
“Há mais de quatro meses o Luiz Gustavo sofria com a lesão e já trouxemos o Fred porque, caso não tivesse condições, já teríamos alguém dentro do grupo com idade olímpica e que eu já conhecia do Inter. Eu sabia de sua personalidade e competitividade, por isso nem precisei falar com ele”, elogiou o técnico, feliz com o elenco que montou.
“O grupo já está muito motivado. O grau de dificuldade nos treinos é enorme pela qualidade dos jogadores e eles estão muito felizes na Seleção Brasileira. Queriam dar uma resposta para o torcedor com uma boa atuação e vencer, o que nos deu confiança, principalmente a quem não joga habitualmente. Formamos uma equipe competitiva porque não temos uma equipe, mas um grupo”, sentenciou.