O técnico Dunga voltou a assegurar que espera pela participação de Kaká e Ronaldinho Gaúcho na disputa da Copa América, que acontece em junho, na Venezuela. Durante a convocação do time nacional para os amistosos que o Brasil realizará contra as seleções da Inglaterra e da Turquia, o treinador enfatizou que não concordou com o pedido de dispensa apresentado pela dupla à CBF.
“Gostaria de ter todos os jogadores do grupo, mas preciso respeitar as vontades individuais de cada um. A seleção brasileira representa muito para o povo brasileiro. A ferida da má campanha na Copa do Mundo ainda está aberta e esta seria uma boa oportunidade para conseguirmos restabelecer os laços com os brasileiros”, destacou o treinador.
Ronaldinho e Kaká alegaram estarem cansados pela maratona de jogos que enfrentaram desde o término da Copa do Mundo e optaram por não participar da competição continental. Mesmo assim, Dunga convocou ambos para enfrentar a Inglaterra e a Turquia, apesar de destacar anteriormente que preferia usar a base que disputaria a Copa América. A justificativa, segundo o treinador, é manter o ritmo do time.
“Quando um jogador não quer jogar, não adianta forçar. Como treinador, preciso pensar no que é melhor para o grupo. Não quero quebrar a estrutura do time, teremos pouco tempo para treinar para estes dois jogos e manter a base é para evitar que o time esteja desentrosado”, completou.
É uma situação que se repete dentro da seleção brasileira. Em 2001, dias antes da Copa América, um princípio de guerra civil na Colômbia fez alguns clubes europeus proibirem seus atletas de disputarem a competição, motivo que fez o então treinador Luiz Felipe Scolari cortar definitivamente do escrete o volante Mauro Silva, provável titular na Copa de 2002.
Desta vez, Dunga mostra que Kaká e Ronaldinho, até por suas qualidades técnicas e importância ao time, não correm o mesmo risco. “Eles estão comprometidos com a seleção e a gente tem é de respeitar o sentimento deles. De repente o período de descanso após a Copa não foi suficiente. O que eu tenho de fazer é não me importar com o pensamento de um ou outro, mas sim no pensamento coletivo”, disse.
Mesmo assim a mágoa do treinador é grande e exemplos inversos foram citados, apesar do cuidado para não transformar em insatisfação. “O Lúcio, que foi operado, queria vir e teve o mesmo período de férias. O Júlio César, machucado, colocou-se à disposição . Isso depende muito da individualidade de cada um e temos que saber respeitá-los. O pessoal fica pensando muito no Dunga jogador, como eu era, mas agora eu tenho que estar acima disso, pensar de forma mais ampla”, concluiu.