Dunga é quase uma unanimidade no Rio de Janeiro. A maioria dos cariocas quer que o técnico deixe a seleção brasileira – uma pesquisa aponta que o índice de rejeição chega a nove em cada grupo de dez pessoas. Ele próprio já esperava ser hostilizado nesta quarta-feira, no empate por 0 a 0 com a Colômbia, no Maracanã.
As vaias começaram antes mesmo da partida, com o anúncio do nome do treinador pelo locutor do estádio. Meia hora depois, o coro era de “adeus, Dunga”. “Isso não me incomoda. Quatro dias antes do jogo, na internet já diziam que eu seria vaiado. Essa situação só se confirmou”, comentou o técnico.
Até Roberto Dinamite, presidente do Vasco, colaborou com as críticas a Dunga horas antes do jogo. Apesar de declarar apoio ao capitão do Brasil na conquista do tetracampeonato mundial, afirmou que o técnico da seleção devia ser alguém mais experiente. “Como o Luxemburgo ou o Felipão.”
As cobranças dos torcedores continuaram após a partida. Quando o motorista ligou o motor do ônibus da seleção brasileira, um torcedor implorou, com gritos estridentes: “Vai embora, mesmo, Dunga. Para nunca mais voltar. Pelo amor de Deus!”.
Com a expressão serena, o técnico disse que aprendeu a resistir à pressão com seus ex-comandantes de seleção brasileira. “É normal vaiarem quando o Brasil não ganha. Não sou o primeiro e não serei o último a passar por isso. Aconteceu com o Parreira e até com o técnico mais vitorioso da seleção, que foi o Zagallo”, comparou. Por enquanto, a CBF mantém o respaldo a Dunga, e os torcedores ainda têm que engoli-lo.