Tem coisas que só o Brasiliense faz pra você”. O antigo slogan de uma empresa de eletrodoméstico se encaixa perfeitamente com a “lógica” do dono do clube de Taguatinga, Luiz Estevão. Quando menos se espera, ele demite um treinador.
Assim ocorreu em diversas oportunidades desde a criação do clube em 2000. Desta vez, a vítima foi Roberto Fonseca. O ex-treinador chegou com o clube na zona de rebaixamento e deixa a equipe candanga na briga por vaga na próxima fase da Série C do Brasileiro.
Roberto Fonseca não atendeu às inúmeras ligações do Jornal de Brasília, mas ao portal Futebol Interior, ele deixou claro que houve tentativa por parte de Estevão de escalar o time. “Isso nunca existiu. Ele sempre teve a liberdade de escalar quem ele quisesse. Os resultados então vieram por culpa dele. Caso contrário, eu não poderia culpá-lo”, disparou Luiz Estevão.
Nem mesmo os bons números de Fonseca no comando do Jacaré, que fazem com que o time sonhe até hoje com o acesso – algo inimaginável na Era Márcio Fernandes sensibilizaram o senador cassado. “Futebol é resultado. Sempre foi assim e não tem como mudar. Nos últimos seis jogos, o Brasiliense só somou seis pontos. Se ele (Roberto Fonseca) acha que esse é um bom aproveitamento, deveria fazer um curso de matemática. Ele começou muito bem aqui no Brasiliense, mas acho que esgotou sua capacidade de tirar o máximo dos jogadores. Com esse aproveitamento final de um ponto por jogo, o Brasiliense já estaria rebaixado. Não dava para continuar”, detonou Estevão, com sua ironia peculiar.
Ele conhece bem
Reinaldo Gueldini fará a sua quinta passagem no comando do Jacaré. E já aconteceu o mesmo com ele. Mesmo em boa fase, foi demitido. “Não fico surpreso com nada aqui no Brasiliense. Tem coisas que só acontecem aqui mesmo. Sei bem como funcionam as coisas”. Estevão explicou a opção por Gueldini. “Ele estava em todos os jogos e conhece os jogadores”, resumiu.
Demissões inesperadas
As saídas de técnicos em boa campanha fazem parte da história do clube de Luiz Estevão. Em 2002, ano em que o clube ficou famoso por ser vice da Copa do Brasil, Edinho Nazareth foi demitido após avançar contra o Confiança-SE. Em 2009 e 2011, Reinaldo Gueldini foi dispensado, mesmo tendo chegado, nos dois casos, à final do Candangão. Em 2011, ele chegou a comandar a equipe no primeiro jogo da decisão.
Grupo critica a decisão
A decisão de Luiz Estevão em demitir Roberto Fonseca foi numa péssima hora. Isso porque os jogadores já têm a pressão de vencer o Cuiabá, domingo, para tentar um lugar na segunda fase da competição. O semblante dos jogadores era de apreensão, tristeza, abatimento.
Até mesmo o experiente Baiano não conseguia esconder a decepção de seu rosto. “O trabalho dele estava sendo muito bem feito. Hoje (ontem) está complicado. O abatimento tomou conta do elenco. Não sei o motivo da saída, mas está todo mundo cabisbaixo mesmo”.
Já o goleiro Welder mostrou-se conformado, mesmo sendo contra a demissão de Fonseca. “Alguns podem estar assustados, ansiosos, mas eu já passei por isso aqui no Brasiliense. Não esperava a saída dele, mas só quero saber é de jogar bem e me destacar no domingo”, completa o arqueiro amarelo.