Um dia após a eliminação na Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca, o Flamengo voltou a treinar visando ao restante da temporada. Enquanto os reservas realizavam um jogo-treino contra o Bonsucesso, os titulares fizeram apenas um trabalho regenerativo. O destaque, porém, foi a presença do atacante Deivid na sala de imprensa para falar com os jornalistas. O jogador perdeu um gol teoricamente simples e chegou a ter seu nome gritado pela torcida do Vasco, como forma de provocação. Ele tentou explicar porque desperdiçou a chance, e disse que espera poder se recuperar o quanto antes.
“Fui tão convicto que iria fazer o gol, que acabei perdendo naquela fração de segundo. Aí, você acaba perdendo o gol dessa forma. Mas vou levantar a cabeça agora, dar um tempo e tentar me recuperar, dar a volta por cima. Minha vida sempre foi cheia de obstáculos. Pelo o que estou acompanhando, pela proporção que se criou, achei que eu seria o foco de hoje. Não tenho motivo para me esconder, queria dar entrevista e explicar para o torcedor por ter dado o passe ou feito o gol, mas estou aqui falando do gol que perdi. Esta é a minha profissão, vivo disso, e não tenho medo de colocar a cara para bater. É mais uma coisa que tenho que atravessar”, desabafou.
Deivid afirmou que todos no clube foram solidários a ele. O atacante revelou que, quando perdeu a oportunidade de fazer o segundo gol rubro-negro na partida, pensou em seu filho.
“O Joel me deu força, os jogadores. Fico triste porque os torcedores vão para o estádio, e, numa fração de segundos, você acaba perdendo o jogo. Se você pegar os clubes pelos quais passei, quase não tive lance de perder gol. Poderia falar como herói, mas estou falando como vilão. Se tivesse feito o gol, poderia ter sido diferente. Quando perdi o gol, meu pensamento foi logo no meu filho. Sabia que ele estava vendo o jogo, ele já entende. Minha filha acordou hoje, eu perguntei o que houve, porque ela estava chateada. Ela falou que eu tinha perdido o gol e que estava com pena de mim. Falei que isso acontece e que não podia abaixar a cabeça. Minha filha tem oito anos, e meu filho tem cinco”, finalizou.