Amoroso, Lúcio e Kaká – todos com passagem pela seleção brasileira – são a prova de que mesmo com uma combalida organização do futebol local, o Distrito Federal é um grande celeiro de joias para o futebol brasileiro. Os ciclos de jogadores se encerram e Brasília continua exportando garotos para outros centros do País, onde se destacam e ganham projeção na carreira. Da nova leva de garotos que surgem nos gramados do Brasil, dois retornam à sua cidade natal na estreia do Brasileiro, na partida entre Santos e Flamengo, no Estádio Nacional Mané Garrincha.
O meia Felipe Anderson, do Alvinegro Praiano, e o atacante Rafinha, do Rubro-Negro, não se profissionalizaram aqui, mas deram seus primeiros chutes na cidade. No retorno ao Planalto Central, os dois, que jamais atuaram no antigo Mané Garrincha, devem entrar para a história da reformada arena candanga como os primeiros brasilienses a disputar uma partida da Série A no estádio.
Em um jogo
Rafinha nasceu em Porto Franco, Maranhão, mas veio para a cidade muito cedo. O garoto então jogava no Guará, até que em uma final de um campeonato contra o CFZ-DF despertou os olhares do treinador Toninho Kajuru. “Era final do campeonato. Jogavam no time ele e o Leandro, hoje no Palmeiras. O Rafinha arrebentou com o jogo, mas nós vencemos a partida. Daí pedi pro pessoal do CFZ contratar o garoto”, lembrou Toninho.
Em Brasília, o garoto ficou uma temporada e partiu para o CFZ carioca, sob a batuta de ninguém mais que Arthur Antunes Coimbra. “No primeiro torneio, o Zico veio falar comigo, perguntar se aquele moleque franzino era bom mesmo. Eu disse que era veloz e de muita qualidade”, disse Toninho. “É um moleque esperto. Se adapta fácil onde vai e muito humilde. Em um campeonato que disputamos no Rio, ele já estava no Flamengo e foi lá me ver”, lembrou o profissional.
Já consolidado no litoral paulista
Tudo tem sido muito rápido na vida de Felipe Anderson. Desde a sua saída de Santa Maria até chegar ao Santos, o meia ainda teve uma breve passagem pelas categorias de base do Coritiba. Quando chegou ao Peixe, em 2007, conseguiu encontrar seu espaço dentro dos juniores santistas.
Não demorou muito para o jogador se profissionalizar. E naqueles tempos era visto como o sucessor de Neymar na Vila Belmiro.
Foram quatro anos desde que o jovem meia desembarcou no litoral paulista até chegar à disputa do Mundial de Clubes da Fifa, em 2011, no fracasso do Alvinegro Praiano diante do Barcelona.
Última passagem
Diferentemente de Rafinha, esta não será a primeira vez que o jogador pisará em um gramado da capital federal. No ano passado, o camisa 10 participou do jogo contra o Atlético-GO, no Bezerrão. Porém, Anderson espera que o desfecho no Mané Garrincha seja melhor que na ocasião passada, quando o Dragão venceu a partida por 2 x 1.
Esta pode ser a última chance do garoto vencer em sua cidade natal, já que Felipe Anderson tem despertado a cobiça de grandes clubes europeus. O interesse maior vem da Lazio, da Itália, que já quase fechou com o atleta no início do ano.