Ela espera todas as colegas terminarem de almoçar, ajuda a arrumar a mesa e aguarda a hora de conversar com o técnico sobre as providências a serem tomadas nos próximos jogos. Esse hábito da capitã da seleção chinesa, Wu Haiyan, foge muito aos costumes dos demais times participantes do Torneio Internacional Feminino.
Wu Haiyan é a meio-campista detentora da braçadeira de capitão e carrega o número cinco na camisa. Aos 22 anos, é ela quem responde pelo elenco na ausência da comissão técnica e é visivelmente respeitada pelas demais atletas.
Mas o costume exótico à cultura brasileira não é privilégio da seleção chinesa. No ambiente norte-americano, por exemplo, nenhum estranho pode se aproximar ou sequer tentar tirar alguma “selfie” com as atletas.
A ordem é deixar as atletas o mais protegidas possível, já que o assédio dos torcedores e a abordagem dos jornalistas “é diferente do que estão acostumados”, diz um membro da comissão.
Nações “irmãs”, Brasil e Argentina se assemelham no comportamento. Ambas são solícitas e não se importam com a presença dos fãs.
Respeito em primeira lugar
Durante o almoço chinês, o silêncio é predominante e a rigidez na educação oriental começa a partir daí. A atleta que terminar a refeição primeiro deve esperar as demais até levantar-se da mesa. Todas são igualmente sérias enquanto estão perto do técnico Zhonghua Huang, mas o comportamento muda completamente quando passam longe do trabalho.
No sofá da recepção do hotel, onde estão hospedadas em Brasília, a capitã Wu e a artilheira do time Zhang Rui pareciam duas meninas adolescentes. O mandarim era difícil de compreender, mas as gargalhadas delas ecoavam pelo lugar e era claro que estavam se divertindo. Situação completamente diferente da hora do almoço.
Já no lado Brasileiro o bom-humor predomina quase que 100% do tempo. Na última segunda-feira, as atletas foram examinar a visão em uma clínica do DF. Mesmo com a presença do técnico no lugar, Marta e cia. não perdiam oportunidade de soltar uma piada.
Nos treinos, o ambiente torna-se mais sério, mas ainda dá para perceber algumas brincadeiras.
Frutas e árvores
Pela primeira vez no Brasil, Wu e Zhang apontaram o que mais gostaram na cidade: as frutas e o verde da cidade. “São quentes e vermelhas. Experimentei a manga e é realmente uma delícia”, disse Wu.
Todos os dias de manhã, elas e as colegas tiram um tempo para correr no Parque da Cidade. A situação já é motivo suficiente para marcar Zhang. “É tudo muito verde e bonito”, destaca.
Saiba Mais
Desde que a delegação chinesa chegou a Brasília dois passeios pela cidade foram organizados: um para o shopping e o outro para a feira artesanal na Torre de TV.
Quando foram ao shopping, elas decidiram não comprar nada, pois quase 100% da tecnologia existente no País vem da China e elas podem adquirir os produtos em seu país de origem – a um preço bem mais em conta.
A admiração delas ficou a cargo da feira de artesanato no centro de Brasília.
Pedras trabalhadas, anéis e colares chamaram a atenção das orientais.