À noite, subindo a avenida principal do Paranoá, é possível ver uma galera uniformizada correndo, rumo ao estacionamento da administração local. Engana-se quem imagina ser um desses grupos de corrida tão na moda, ou mesmo um castigo militar pra soldados mal-comportados. Na verdade, trata-se do elenco do Paranoá Esporte Clube, time da Segunda Divisão local.
Sem estrutura necessária para um clube de futebol, o Paranoá treina nas ruas da cidade e se vira como pode para se manter vivo. “Não temos espaço para treinar. Começamos na quadra e viemos para o estacionamento da administração, que é mais amplo”, explicou o dono do clube, Jorge Luiz da Cruz.
Por favor, me ajudem!
O Paranoá sobrevive de doações. Desde patrocínios de empresas da cidade para a compra de uniformes, até bolsa para os atletas em uma academia local, o time sequer tem um campo para realizar seus treinamentos táticos.
“Nós utilizamos o campo sintético quando podemos. Às vezes, preciso mandar um ofício para a administração do Varjão para usarmos o campo de lá.Ninguém nos ajuda com isso. Até hoje não consegui um gramado para treinar”, desabafou. A cidade possui estádio, mas que, segundo o presidente, não tem condições de uso. “Lá só tem mato e vazamento de água. Perguntei à administração se eles sabiam do problema e nada. O estádio não tem iluminação”, enumerou.
Atletas só à noite
A luta por um gramado é maior pelo fato da maioria dos jogadores do clube não serem profissionais. Cerca de 90% do elenco trabalha durante o dia e por isso só podem treinar à noite. Sem poder manter uma folha salarial, o cartola firma contratos com os jogadores, que não recebem honorários. “Aqui é ajuda de custo e não salário. Se eu conseguir por exemplo R$ 200 eu passo para eles”, revelou o mandatário.
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