O menor de idade que deve assumir a culpa pela morte do garoto Kevin Espada, de 14 anos, durante jogo do Corinthians na Bolívia, chegou nesta segunda-feira (25) à Vara da Infância e Juventude de São Paulo para prestar depoimento. Cercado por curiosos que se aglomeravam no local, o garoto entrou no prédio no banco da frente do veículo de seu advogado e agora esclarecerá os detalhes envolvendo a tragédia na estreia do Corinthians na Taça Libertadores da América, contra o San José, em Oruro.
O veículo com o suspeito chegou ao prédio por volta das 14h50 (de Brasília). A presença do corintiano atraiu a atenção de moradores da região e o rapaz teve dificuldades para passar pelos fotógrafos que se aglomeraram à sua frente.
O advogado Ricardo Cabral, responsável por proteger os interesses da torcida Gaviões da Fiel neste caso, já havia concedido entrevista durante o período da manhã desta segunda-feira. O representante da organizada afirmou que o menor de idade foi o responsável por comprar todos os seis sinalizadores que foram levados até a Bolívia. O torcedor teria gastado cerca de R$ 20 em cada artefato e adentrou ao estádio com os utensílios dentro de uma mochila.
Cabral também informou que o garoto não sabia manusear o sinalizador que tinha em mãos e foi surpreendido pelo rojão que matou Kevin Espada. Ainda de acordo com a versão da Gaviões da Fiel, o torcedor foi hostilizado pelos outros alvinegros que estavam nas arquibancadas e deixou a mochila no local para não se envolver em confusões. Em seguida, os artefatos foram coletados por membros da torcida, que acabaram detidos após a revista policial.
A expectativa é que o depoimento do corintiano auxilie na liberação dos 12 torcedores que continuam detidos pelas autoridades de Oruro. O promotor do caso avaliará a veracidade das declarações do menor e também transmitirá o conteúdo para a polícia boliviana. Se os relatos procederem perante a Justiça brasileira, o garoto será conduzido a um juiz para ouvir quais medidas legais serão tomadas daqui em diante. A sua extradição para a Bolívia foi descartada.