Mano Menezes era o centro das atenções na entrevista em que anunciou ser o novo técnico da seleção brasileira. Mas precisou respeitar a hierarquia do Corinthians. Mesmo com os pedidos para se sentar na cadeira principal da sala de imprensa do Parque São Jorge, o treinador se postou do lado direito do presidente Andrés Sanchez.
Bastante emocionado com a saída de Mano, Sanchez admitiu que será mais difícil disputar o título do Campeonato Brasileiro sem o treinador. “Sofremos um baque grande. Estamos órfãos. Mas vamos aguardar, pois o grupo é muito bom e está unido”, discursou o mandatário, que não quis ser um obstáculo para a carreira do sucessor de Dunga.
Sanchez contratou Mano para dirigir o Corinthians na Série B do Campeonato Brasileiro de 2008. O sucesso se estendeu até o ano seguinte, com os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Mesmo com o fracasso na Copa Libertadores da América de 2010, ano do centenário corintiano, o técnico teve seu contrato renovado até o final de 2011.
Após a eliminação diante do Flamengo, Sanchez precisou enfrentar a ira de torcedores organizados (com quem possui bom relacionamento) contra Mano Menezes. As críticas não foram suficientes para abalar a confiança da diretoria, que já fez campanhas para aumentar a popularidade do treinador entre o público. As camisas com a inscrição “Sou mano do Mano”, contudo, encalharam nas lojas do clube.
“Recebi os torcedores na minha sala depois da Libertadores, pois faço isso com todo mundo. Dizer um não para eles deve ter doído, pois aí você é chamado de traíra, de bobo. Mas o Mano provou a sua competência e agora é técnico da seleção”, comentou Sanchez, que acha difícil encontrar um substituto com o perfil do treinador gaúcho. “É triste ele ter saído. O próximo técnico terá que se enquadrar ao nosso projeto e colocar algo a mais.”
Mano dirigirá o Corinthians pela última vez contra o Guarani, domingo, no Pacaembu, com o objetivo de recuperar a liderança do Brasileirão. Sanchez cobrou uma vitória na despedida. “Precisa ganhar o jogo para eu liberar. Na seleção, a diferença é que o Brasil inteiro estará pressionando e não só a metade do país, que são os corintianos. O Mano está ferrado, mas vai saber achar o ponto certo”, sorriu.
O presidente do Corinthians, por fim, desejou que Mano Menezes volte a trabalhar no Parque São Jorge depois da Copa do Mundo de 2014. “Saibam que o Corinthians estará sempre de portas abertas para o Mano. Já que dizem que sou todo-poderoso, ele será demitido da seleção brasileira em 2015 e voltará a ser o nosso treinador”, vislumbrou Andrés Sanchez.