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Futebol

Corinthians goleia o Flamengo com redenção de Pato

Arquivo Geral

01/09/2013 18h50

Em uma tarde festiva no Pacaembu, o primeiro a levantar os convidados do Corinthians nas arquibancadas não foi um jogador de futebol. O rapper corintiano Rappin Hood entrou em campo pouco antes de a partida contra o Flamengo começar e puxou o coro de “Parabéns para você” – só não foi tão bem aceito quando citou a chamada “República Popular do Corinthians”, invenção do departamento de marketing do clube.

 

Penetras na comemoração de aniversário do Corinthians, os flamenguistas também queriam participar da festa. O principal alvo do público visitante era justamente um atacante com passagem pela Gávea: Emerson, que precisa se acostumar às gozações depois de divulgar a polêmica foto em que aparece beijando um amigo. “Beija! Beija! Beija”, gritavam os rubro-negros.

 

Sheik, no entanto, estava no banco de reservas do Corinthians. O técnico Tite preferiu apostar em um jogador até então contestado como parceiro do peruano Paolo Guerrero. “O Pato vai para cima dele!”, bradou o gaúcho, quando questionado sobre a improvisação de Paulinho na lateral direita do Flamengo.

 

A torcida do Corinthians deu mais atenção a outros jogadores do time visitante. O meio-campista Elias aplaudiu o público alvinegro assim que pisou no gramado e foi retribuído com gritos entusiasmados. Seguiram-se coros para o zagueiro Chicão e (mais timidamente) o lateral esquerdo André Santos. Já o goleiro Felipe, com saída conturbada do Parque São Jorge, foi ofendido com palavrões.

 

Douglas era o único jogador do Corinthians em campo que havia atuado com todos aqueles ex-corintianos. E estava bem à vontade com a situação. Como tem ocorrido desde a sua promoção ao time titular, o meia logo se encarregou de distribuir a bola ofensivamente com passes precisos para Alexandre Pato e Guerrero. Só pecou quando recebeu assistência do peruano dentro da área e foi preciosista, optando pelo passe de cabeça.

 

O Flamengo até tentou não ficar recuado no Pacaembu. Muito dependente da criatividade e do empenho de Elias, o time rubro-negro conseguiu incomodar com alguns lançamentos longos e através da velocidade do atacante Rafinha. André Santos e o meia-atacante Carlos Eduardo, contudo, estavam longe de acompanhar aquele ritmo.

 

Pato aprendeu que deveria ter uma postura bem oposta à da dupla de flamenguistas para vingar no Corinthians. Antes criticado pela falta de empenho, o atacante fez questão de demonstrar rispidez em uma de suas primeiras disputas de bola com Paulinho, aos seis minutos. Empurrou o adversário próximo da bandeira de escanteio e ganhou os primeiros aplausos do dia.

 

Cerca de 20 minutos mais tarde, o astro do Corinthians correspondeu de outra forma. Douglas novamente foi um maestro ao usar o calcanhar para acionar Romarinho, que avançou dentro da área e cruzou rasteiro. Do outro lado, Alexandre Pato se esticou para conferir. Depois, correu na direção da maior torcida organizada do time, eufórica.

 

O Flamengo queria dar o troco rapidamente. Já no ataque seguinte, Elias apareceu com liberdade à frente de Cássio, que saiu bem do gol e fechou o ângulo na conclusão do destaque adversário – em um raro susto proporcionado à defesa do Corinthians na etapa inicial.

 

Aos 34 minutos, o placar mudou outra vez. Em uma bola perdida por André Santos, Douglas voltou a enfiar a bola para Alexandre Pato. O atacante ganhou da marcação na velocidade, passou pelo goleiro Felipe e ficou sem ângulo para finalizar. Ainda assim, chutou na rede – fazendo lembrar um dos seus bons momentos pela Seleção Brasileira.

 

Com a redenção de Pato e 2 a 0 no marcador, a torcida do Corinthians se permitiu festejar os 103 anos do clube novamente. O primeiro tempo terminou embalado por mais um coro de “Parabéns para você”. Não sem antes o time alvinegro trocar passes rapidamente, sob berros de “olé”, como se estivesse jogando futsal.

 

“Estamos jogando como nunca, mas temos que respeitar o Flamengo. O olé é só fora de campo”, avisou o volante Ralf, sisudo, quando descia para o vestiário. Com motivos maiores para preocupação, Mano Menezes prometeu agir antes do segundo tempo. E assim fez: substituiu o ineficiente Carlos Eduardo por Gabriel.

 

A alteração do Flamengo não chegou a surtir efeito. Com tranquilidade para administrar a vantagem construída no primeiro tempo, o Corinthians passou a valorizar a posse de bola no segundo. Acelerava o jogo apenas quando Douglas decidia fazer Pato e Guerrero correrem. O que fez Mano apostar em Nixon na vaga de Rafinha.

 

O Flamengo até melhorou um pouco depois de mais uma mudança – também porque o Corinthians já não parecia muito interessado em atacar. Chegou a deixar a torcida rival silenciosa quando Chicão e André Santos se prepararam para uma cobrança de falta. Para evitar maiores problemas, Tite mandou Emerson se aquecer.

 

 

Nem foi preciso o Sheik ir a campo para o panorama da partida ficar ainda mais favorável ao Corinthians. Quando ele se preparava para entrar, Pato teve mais uma chance de bater firme dentro da área. Acertou a defesa do Flamengo no chute. Romarinho ficou com a sobra e fez isso: o terceiro gol do time aniversariante.

 

O placar dilatado foi a senha para Emerson substituir Pato – ovacionado, de pé, pelo maior público que o Corinthians levou ao Pacaembu nesta temporada. E ainda havia tempo para mais festa. Lançado na ponta direita por Douglas (sempre ele), Emerson invadiu a área e acabou derrubado. Pênalti, que Guerrero conferiu aos 39 minutos para sacramentar mais uma vitória dos 103 anos de história do bicampeão mundial.

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