Roberto Wagner e Vicente Melo
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Não é de hoje que o Estádio Nacional Mané Garrincha é visto como um candidato a “elefante branco” pelos mais variados cantos do País. Sem contar com um clube que desperte grande simpatia do público candango, a arena com capacidade para 71 mil pessoas tende a ficar ociosa por longos períodos. Entretanto, essa visão não é compartilhada pelos responsáveis pela construção da praça esportiva.
“Uma fraqueza nossa acabou se transformando em uma grande virtude. Aqui, do limão, nós fazemos uma limonada”, garante Claudio Monteiro, secretário Extraordinário da Copa no DF. “Dou um sorriso que tenho que amarrar o queixo para não deslocar quando dizem que o Mané Garrincha vai ser um elefante branco”, provoca.
Não dispor de um calendário de futebol farto durante a temporada é visto com otimismo para utilizar outras potencialidades da arena. Assim, uma agenda cultural e comercial é a saída encontrada para dar utilidade ao Mané Garrincha.
O secretário explica que o objetivo é tornar o “marco zero da cidade” em um dos pontos mais frequentados pela população. Além disso, o projeto prevê que os eventos que normalmente ocorrem no estacionamento do estádio passem a ocorrer dentro da arena. “O que acontecia é que os grandes eventos eram feitos no estacionamento, sujeitos a intempéries. Isso não existirá mais”, diz.
Outra aposta é fazer da arena um shopping, com tudo o que um centro comercial oferece: praça de alimentação, cinema etc. “Aqui será uma área de convivência e que vai repaginar o centro da cidade.”
Uma ou duas
Um fato é certo: o Estádio Nacional Mané Garrincha passará a ser administrado por uma empresa particular após a Copa do Mundo de 2014. Para tanto, será feita uma licitação do serviço. O que está em dúvida é qual será o modelo adotado para o pregão.
No momento, há duas possibilidades. A primeira, é que o arrendatário da praça esportiva cuide tanto da arena (parte ligada ao futebol e eventos de maior porte), quanto do centro comercial. O segundo modelo proposto é que sejam feitas licitações separadas para cada uma das partes do Mané Garrincha.
Atração turística é meta
Empenhado em fazer do novo Estádio Nacional Mané Garrincha um chamariz para atrair a população, os responsáveis pela obra almejam expandir a área de atuação e trazer também os turistas que chegarão à cidade por conta da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de 2014.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que a Copa das Confederações terá um impacto de R$ 4 bilhões na economia do Distrito Federal. Isso contando que os viajantes ficam, em média, três dias na cidade.
Segundo Claudio Monteiro, a meta traçada pelo GDF é fazer com que estes visitantes – cerca de 200 mil, segundo cálculos do governo – fiquem pelo menos dois dias além do projetado.
“Isso é o que vai aquecer a economia da cidade. Essa cidade tem uma vida cultural e gastronômica singular, porque todas as culturas do País estão aqui”, aponta o secretário Extraordinário para a Copa no DF. “Se conseguirmos dobrar o número de dias que estes turistas ficam na cidade, aumentaremos sob medida o impacto econômico no DF”, projeta.
Síntese do Brasil
Claudio Monteiro cita a Casa do Cantador, em Ceilândia, como um ponto turístico a ser visitado pelos viajantes. Segundo ele, os cinco mil jornalistas esperados para a abertura da Copa das Condeferações têm de ter facilidade de acesso a esse tipo de local.