
A matéria publicada na terça-feira, intitulada “Destemido, Fonseca abre o jogo”, deixou furioso o mandatário do Brasiliense, Luiz Estevão. Prova disso é que, na manhã de ontem, o clube entrou em contato com a reportagem do Jornal de Brasília, para dar a sua versão. O fato de o ex-comandante do clube de Taguatinga, Roberto Fonseca, ter afirmado categoricamente que o cartola tentava interferir na sua escalação, aliado às declarações contra o supervisor de logística da equipe, Leandro Bernardes, a quem chamou de desorganizado e irresponsável, foram os alvos da ira do senador cassado.
Em seu escritório no Lago Sul, ele recebeu a reportagem e conversou por 46 minutos, dando suas versões sobre os fatos.
Sobre as afirmações de Roberto Fonseca a respeito de interferência da sua parte na escalação do Brasiliense. O que você tem a dizer?
Desde quando ele chegou aqui, avisei a ele que o Brasiliense não tem gerente de futebol, nem trabalha com empresário de jogador. Ou seja, ele não seria obrigado a fazer nada que não desejasse. Acho que assim funciona melhor do que em clubes que têm 50 conselheiros e cada um quer se meter.
Então, o que você tem a dizer sobre o Roberto Fonseca, já que ele me disse claramente que “achava normal o dono dar opinião no time que banca, mas não pode querer impor”?
Essa é a mentira mais deslavada do mundo. Ele deveria ganhar o troféu de cara de pau ou óleo de peroba. Uma grande prova disso no jogo contra o Cuiabá, mantivemos praticamente o mesmo time. A única alteração por opção do novo técnico (Reinaldo Gueldini) foi a entrada do Luquinhas no ataque. As outras foram por suspensão, como o Julio Bastos, e lesão, caso do Luan.
Mas ele não é o primeiro treinador a falar que há interferência no trabalho. Como vamos saber quem está falando a verdade?
Apenas dois técnicos saíram dizendo que eu me metia na escalação. Toda vez que um treinador sai do Brasiliense, eles me ligam pedindo para voltar. Mas uma coisa fica no ar. Se havia essa interferência na escalação do time e o supervisor era tão desorganizado, por que ele não pediu para se desligar do Brasiliense? Isso mostra que ele é um topa-tudo por dinheiro.
Bom, então desse jeito fica claro que o Roberto Fonseca jamais voltaria para o Brasiliense. Como era a sua relação com ele?
Não digo que ninguém nunca voltará, mas existem muitos técnicos de qualidade por aí. Desde aquela época do Iranildo (quando ele chamou a imprensa para explicar o porquê da demissão do Chuchu, em 7 de dezembro de 2010), não converso com jogador nem treinador a sós. Sempre convoco alguma testemunha. Isso porque, caso contrário, quando sair da reunião, cada um conta a sua versão.
Quais foram os assuntos das conversas sobre jogadores?
Vou te contar e você avalie se ele entende mesmo de futebol. Primeiro, queria trazer um goleiro porque dizia que o Welder não era bom para a Série C , além de ser esquisito e desajeitado. Pedi apenas que desse algumas oportunidades ao Welder pelo bom campeonato candango que ele fez. Caso o Welder não correspondesse, iríamos atrás de outro. Depois como ficou bem claro, ele evitou várias derrotas do Brasiliense e foi um dos que se salvou na competição.
E quais foram os outros dois jogadores que o Roberto Fonseca questionou?
Logo na chegada dele, veio falar que o Baiano era velho e não aguentaria jogar os 90 minutos. O Leandro (supervisor de logística), o Paulo Henrique (gerente do site oficial do clube) e o Roberto Naves (chefe da equipe de comunicação) estavam presentes e ouviram. Aí eu falei para o Roberto esperar um pouco, pois o Baiano foi o único jogador a atuar em todos os jogos do Candangão durante os 90 minutos. Ou seja, o jogador com mais vigor físico e qualidade técnica foi questionado antes mesmo de ele analisar. Depois acredito eu que ele deve ter concordado comigo.
E qual foi o outro questionamento do Fonseca?
Ele se queixou mais de uma vez dizendo que o Iranildo estava atrapalhando o grupo e queria que eu o mandasse embora. Discordei porque ele estava com contrato e nunca confrontou, desrespeitou o Roberto. Então disse que não o dispensaria. O Iranildo pediu para se desligar do clube e nos acertamos. Mas nunca mandei que ele fosse titular. Então, foi isso o que aconteceu. Nunca interferi em nada.
E as reclamações com relação ao Leandro?
Primeiro, a culpa do time ter chegado no dia do jogo ao Acre foi culpa do Roberto, que demorou para decidir a data da viagem. No caso em que o Leandro chegou atrasado em um jogo, ele sofreu um acidente em casa, levou pontos na mão. Então não justifica. O Leandro, por ser amigo, do Manoel Flores Júnior, assessor direto do Virgílio Elysio (diretor de competições), tem mais facilidade de contato com a CBF do que qualquer outro supervisor.
E com relação a entrar na Justiça para seguir na Série C? Como está o andamento?
Solicitamos um documento à Federação Brasiliense de Futebol dizendo que nunca fomos notificados. A partir daí, vamos tomar as medidas cabíveis. (O documento já está com o clube de Taguatinga).
E sobre 2014?
Até quinta-feira, vou me reunir com o Gueldini. Mas dispensaremos uns 12 jogadores. Vamos reformular o elenco do Brasiliense. Não dá para continuar como está.