Policiamento intenso, cordão humano de isolamento e muitas câmeras não são suficientes para conter a violência entre torcidas organizadas que assombra os estádios do Brasil.
Diante disto, governos arquitetam sistemas que ajudam a identificar quem sempre contribui para as agressões, mas nem assim a selvageria deixa de existir. Se as opções comuns não resolvem, ideias inusitadas começam a surgir no combate a agressividade.
No último domingo, por exemplo, uma agência de publicidade resolveu surpreender as torcidas do clássico entre Sport e Náutico, na Arena Pernambuco.
No lugar dos esperados policiais que fariam o cordão de isolamento, as mães dos torcedores eram “as autoridades” que vestiam o colete de identificação personalizado.
Além disso, os jogadores do Sport entraram em campo com a faixa “Hoje quem faz a segurança são as mães dos torcedores. Respeite”. Nos telões do estádio foi exibido um pequeno filme das voluntárias pedindo paz e um dos dizeres do clipe era: “Tem coisa que torcedor não faz na frente da mãe. Brigar em estádios é uma delas”.
Esta foi apenas uma iniciativa e, infelizmente, as mães não podem estar presentes em todos os jogos. Enquanto isso, é comum ver jogos nacionais acontecendo com os portões fechados ou duelos com apenas uma torcida presente nas arquibancadas.
Só mulheres e crianças
Fora do Brasil, algumas ideias diferentes também já foram utilizadas. Na Turquia, em setembro de 2011, somente mulheres e crianças menores de 12 anos puderam assistir ao jogo entre Fenerbahçe e Manisapor – válido pelo campeonato turco. O jogo acabou empatado por 1 x 1.
A punição ao time veio após as invasões ao campo e agressões aos jornalistas por parte de alguns torcedores. O Fenerbahçe jogava contra o Shakhtar Donetsk, da Ucrância, pela Copa dos Campeões.
Mas engana-se quem pensa que o estádio ficou vazio. Para o espanto de todos, o time turco jogou para uma plateia de 41 mil pessoas. Até o policiamento da partida foi feito por mulheres e nenhum incidente de agressão foi registrado no dia do confronto.
Acabou o futebol
Se na Turquia as mulheres mostraram aos homens como se deve torcer, no Egito a situação é bem mais séria.
Pela segunda vez, em três anos, o campeonato nacional egípcio foi suspenso por conta da violência. No último domingo, cerca de 22 torcedores morreram numa confusão no estádio do Cairo, na partida entre Zamalek e ENPPI.
As pessoas foram esmagadas ou sufocadas depois que a polícia usou gás lacrimogêneo contra os torcedores do Zamalek, enquanto os mesmos forçavam a entrada.
O Ministério do Interior do país, que comanda a polícia, disse que os torcedores tentavam entrar na arena sem apresentar ingresso. Testemunhas, porém, alegaram que a maioria portava os tíquetes.
Saiba mais
O Palmeiras não cobrará do Corinthians o valor de R$ 25 mil referente as 250 cadeiras quebradas no confronto entre as equipes no último domingo, no Allianz Parque.
Devido as brigas, o Ministério Público analisa a possibilidade de recomendar à Federação Paulista de Futebol (FPF) que o clássico entre Santos e São Paulo, amanhã, na Vila Belmiro, tenha torcida única.
O MP aguarda documentação do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública e do Tribunal de Justiça para emitir um parecer.
Fãs do Campeonato Inglês levam poucos segundos para notar a diferença das torcidas, presentes em massa em todos os jogos, e a ausência de alambrados para separá-los uns dos outros. Esse conforto nem sempre existiu.
Em 29 de maio de 1985, a Inglaterra presenciou uma das maiores tragédias do futebol. O saldo final da partida entre Liverpool e Juventus, válido pela Copa dos Campeões, registrou 39 mortos, 454 feridos e 270 hospitalizados.
O Estádio do Heysel, na Bélgica, estava com a sua capacidade máxima de lotação e, mesmo assim, torcedores sem bilhetes conseguiram entrar. O resultado foi o esmagamento de milhares de pessoas diante do alambrado da arena. A confusão aumentou quando torcedores de uma uniformizada do Liverpool agrediram os rivais.
A Uefa suspendeu clubes ingleses de todas as competições internacionais por cinco anos. Após o incidente, uma das primeiras providências foi eliminar os alambrados dos estádios. Outra atitude foi a numeração dos assentos. Quem não cumprisse a norma perderia mando de campo por quatro anos. Torcedores violentos foram punidos e presos, em pena que poderia chegar a dez anos longe dos estádios.