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Futebol

Com o combate à violência no futebol se esgotando, novas ideias surgem para tentar ajudar

Arquivo Geral

10/02/2015 8h05

Policiamento intenso, cordão humano de isolamento e muitas câmeras não são suficientes para conter a violência entre torcidas organizadas que assombra os estádios do Brasil. 

Diante disto, governos arquitetam sistemas que ajudam a identificar quem sempre contribui para as agressões, mas nem assim a selvageria deixa de existir. Se as opções comuns não resolvem, ideias inusitadas começam a surgir no combate a agressividade.

No último domingo, por exemplo, uma agência de publicidade resolveu surpreender as torcidas do clássico entre Sport e Náutico, na Arena Pernambuco. 

No lugar dos esperados policiais que fariam o cordão de isolamento, as mães dos torcedores eram “as autoridades” que vestiam o colete de identificação personalizado.

Além disso, os jogadores do Sport entraram em campo com a faixa “Hoje quem faz a segurança são as mães dos torcedores. Respeite”. Nos telões do estádio foi exibido um pequeno filme das voluntárias pedindo paz e um dos dizeres do clipe era: “Tem coisa que torcedor não faz na frente da mãe. Brigar em estádios é uma delas”.

Esta foi apenas uma iniciativa e, infelizmente, as mães não podem estar presentes em todos os jogos. Enquanto isso, é comum ver jogos nacionais acontecendo com os portões fechados ou duelos com apenas uma torcida presente nas arquibancadas.

Só mulheres e crianças

Fora do Brasil, algumas ideias  diferentes também já foram utilizadas. Na Turquia, em setembro de 2011, somente mulheres e crianças menores de 12 anos puderam assistir ao jogo entre Fenerbahçe e Manisapor – válido pelo campeonato turco. O jogo acabou empatado por 1 x 1.

A punição ao time veio após as invasões ao campo e agressões aos jornalistas por parte de alguns torcedores. O Fenerbahçe jogava contra o Shakhtar Donetsk, da Ucrância, pela Copa dos Campeões. 

Mas engana-se quem pensa que o estádio ficou vazio. Para o espanto de todos, o time turco jogou para uma plateia de 41 mil pessoas. Até o policiamento da partida foi feito por mulheres e nenhum incidente de agressão foi registrado no dia do confronto.

Acabou o futebol

Se na Turquia as mulheres mostraram aos homens como se deve torcer, no Egito a situação é bem mais séria.

Pela segunda vez, em três anos, o campeonato nacional egípcio foi suspenso por conta da violência. No último domingo, cerca de 22 torcedores morreram numa confusão no estádio do Cairo, na partida entre Zamalek e ENPPI.

As pessoas foram esmagadas ou sufocadas depois que a polícia usou gás lacrimogêneo contra os torcedores do Zamalek, enquanto os mesmos forçavam a entrada. 

O Ministério do Interior do país, que comanda a polícia, disse que os torcedores tentavam entrar na arena sem apresentar ingresso. Testemunhas, porém, alegaram que a maioria portava os tíquetes.

Saiba mais

O Palmeiras não cobrará do Corinthians o valor de R$ 25 mil referente as 250 cadeiras quebradas no confronto entre as equipes no último domingo, no Allianz Parque. 

Devido as brigas, o  Ministério Público analisa a possibilidade de recomendar à Federação Paulista de Futebol (FPF) que o clássico entre Santos e São Paulo, amanhã, na Vila Belmiro, tenha torcida única.

O MP aguarda documentação do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública e do Tribunal de Justiça para emitir um parecer.

 
Lição com tragédia na Bélgica

Fãs  do Campeonato Inglês   levam poucos segundos para notar  a diferença das torcidas, presentes  em massa  em todos os jogos,  e a ausência de alambrados para separá-los uns dos outros. Esse conforto nem sempre existiu.

Em 29 de maio de 1985, a Inglaterra presenciou uma das maiores tragédias   do futebol. O saldo final da partida entre Liverpool e Juventus,  válido pela Copa dos Campeões,  registrou 39 mortos, 454 feridos e 270 hospitalizados.

O Estádio do Heysel, na Bélgica,   estava com a sua capacidade máxima de lotação e, mesmo assim,   torcedores sem bilhetes conseguiram entrar. O resultado  foi o esmagamento de milhares de pessoas  diante do alambrado da arena.  A  confusão aumentou quando  torcedores de uma uniformizada  do Liverpool   agrediram os  rivais. 

A Uefa suspendeu  clubes ingleses de todas as competições internacionais por cinco anos. Após o incidente, uma das primeiras providências foi eliminar os alambrados dos estádios. Outra atitude foi a numeração dos assentos. Quem não cumprisse a norma perderia mando de campo por  quatro anos. Torcedores violentos foram punidos e presos, em pena que poderia chegar a dez anos longe dos estádios.

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