Contando com um jogador brasileiro em cada setor do campo – defesa, meio e ataque – a seleção de Portugal vai à África do Sul com expectativas de, pelo menos, repetir a campanha de 2006, quando chegou às semifinais, terminando na quarta posição.
Comandado por Cristiano Ronaldo, o time português conta com três brasileiros naturalizados. Além do meia Deco – que disputou o Mundial de 2006 e já é um dos dez jogadores que mais vestiram a camisa lusa – o zagueiro Pepe e o atacante Liédson.
Desde que Liédson naturalizou-se português, em meados de agosto, os três são figuras fáceis nas convocações e escalações do técnico Carlos Queiroz.
E na Copa da África do Sul os brasileiros naturalizados terão de enfrentar o Brasil pelo grupo G, formado ainda por Coreia do Norte e Costa do Marfim.
Queiroz, aliás, vive à sombra do sucesso de Luiz Felipe Scolari. O técnico, que comandou a seleção portuguesa por seis anos, deixou o comando há cerca de um ano e meio, após o vice-campeonato europeu em 2004 e o quarto lugar no Mundial na Alemanha, dois anos depois.
O novo treinador, que já comandou o Real Madrid e a seleção da África do Sul, anfitriã da Copa 2010, foi muito cobrado pela imprensa e pelos torcedores do país. Portugal esteve perto de ficar fora do Mundial, e só conseguiu a vaga na repescagem, com duas vitórias sobre a Bósnia (ambas por 1 a 0), após ficar em segundo em seu grupo, atrás da Dinamarca.
A campanha foi muito ruim até junho deste ano, quando os portugueses venceram a Albânia fora de casa por 2 a 1, com um gol do zagueiro Bruno Alves, do Porto, já nos acréscimos da segunda etapa. Até ali, a campanha era de apenas uma vitória (contra a fraca equipe de Malta), três empates e uma derrota em casa para a Dinamarca.
O jogo marcou a virada na campanha lusa nas Eliminatórias. Com um empate fora de casa com a Dinamarca (na estreia de Liédson, que saiu do banco para marcar o gol que determinou o placar de 1 a 1), duas vitórias sobre a Hungria e uma sobre Malta garantiram a segunda posição na chave.
Na repescagem contra a surpreendente seleção Bósnia, sem Cristiano Ronaldo, então lesionado, vitória suada em casa: 1 a 0 – mais um gol de Bruno Alves – e duas bolas na trave mandadas pelos bósnios nos minutos finais.
O jogo de volta em Zenica acabou sendo mais tranquilo que o esperado, e um gol de Raul Meireles confirmou a vaga aos portugueses, que vão para sua terceira Copa consecutiva.
Entretanto, a euforia pela classificação na última hora deu lugar à reflexão. Se quiser fazer uma boa campanha na África, os portugueses deverão encontrar um padrão de jogo próprio.
Órfãos de um líder em campo desde as aposentadorias dos ídolos Luis Figo e Rui Costa, o time de Queiroz sente falta de um matador no ataque. Este nome pode ser Liédson, que correspondeu nas primeiras chances que teve, mas ainda não convenceu definitivamente.
Outro problema está na ala-esquerda. Sem contar com um nome de peso para a posição, o meia-atacante Pedro Duda, do Málaga (Espanha) foi o mais utilizado recentemente, improvisado.
No meio, o time vive uma “Deco dependência” desde as aposentadorias de Figo e Rui Costa. O luso-brasileiro é o único titular absoluto da posição. Jogadores como Tiago, muito questionado na Juventus, foram testados e não agradaram.
Cristiano Ronaldo, eleito melhor jogador do mundo em 2008, não tem rendido o esperado e não marca um gol pela seleção há mais de um ano.
O goleiro Eduardo, do Braga, o ala-direito Bosingwa e o zagueiro Ricardo Carvalho (ambos do Chelsea), além de Pepe e Bruno Alves, do Porto, são certezas na defesa.
O volante Raul Meireles, do Porto, e o meia-atacante Simão Sabrosa, do Atlético de Madrid, completam a base da equipe. O esquema tático não está definido. Durante as Eliminatórias, Queiroz usou o 3-5-2 e o 3-5-3.
Portugal participou de quatro Copas do Mundo: 1966, 1986, 2002 e 2006. Além do quarto lugar no último mundial, outro grande resultado foi obtido na Inglaterra, em 66, quando comandados pelo craque Eusébio os portugueses eliminaram o Brasil na primeira fase e terminaram a Copa na terceira posição.