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Futebol

Chateado, Kleiton Lima aponta divergências e culpa transição política

Arquivo Geral

28/12/2010 15h02

Há treze anos no cargo de treinador do Santos e um dos maiores responsáveis pelo sucesso do futebol feminino no Brasil, Kleiton Lima acabou demitido de surpresa pela diretoria santista na véspera do Natal e teve seu planejamento interrompido. Com o intuito de esclarecer os fatos, o técnico, que continua à frente da seleção brasileira, deu sua versão do impasse e evidenciou os atritos que mantinha com a nova administração do clube, eleita em dezembro de 2009.

 

Segundo Kleiton, os profissionais do mandato do presidente Luís Álvaro de Oliveira “estagnaram” a evolução que a modalidade vinha ganhando no clube. “O projeto era continuar sendo ambicioso. Apesar de sermos campeões da Libertadores, do Paulista, dos Jogos Abertos, de o Santos continuar sendo a base da seleção, a nova diretoria acabou tendo outro foco. Ela não vê a seleção como algo importante. Pela minha vivência, acredito que a modalidade precisa ter ídolos, referências, ter jogadoras da cidade vestindo a amarelinha. Ao meu ver, isso foi o principal problema: de eu ser técnico da seleção e levar atletas do Santos. O próprio diretor afirmou que não gostava desta divisão de atenções”, argumentou.

 

A respeito das insinuações do diretor Murilo Barletta de que o acúmulo de funções era prejudicial às Sereias da Vila, Kleiton discordou veementemente e deixou claro que sempre conseguiu conciliar as duas profissões.

 

“Eu sempre fui 100% em cada função. Mesmo acumulando as duas, eu consegui 90% dos títulos que disputei. Quando estou em um clube, eu fico interado do dia a dia, dos bastidores do futebol feminino… Eu estava com 40 jogadoras e mantinha um relacionamento muito próximo com as outras equipes. Enfim, eu senti que o projeto mudou, começou a ser um empecilho para o clube”, alertou.

 

O futebol feminino santista – disparado o mais “profissional” do continente sul-americanao – deu seus primeiros passos no final da década de 90, com o então mandatário Samir Abdul-Hak, e ganhou projeção durante os anos 2000 com Marcelo Teixeira, o qual sempre mostrou-se um entusiasta da modalidade. Lima não confirmou que a identidade da administração antecessora tenha influenciado na decisão, porém deixou claro que a atenção já não era mais a mesma.

 

“Eu era contratado do Santos e não do Marcelo Teixeira. O meu primeiro vínculo foi com Samir Abdul-Hak. Lógico que Marcelo Teixeira incentivou e que houve essa identidade. A proporção foi muito grande. Mas, antes de tudo, eu sou Santos Futebol Clube com qualquer um que estiver na presidência. Tenho uma vivência nesse universo e esses ano me ensinaram a tomar certas decisões em prol da modalidade. Muitas vezes, eu recebia interferências de pessoas que não tinham essa bagagem e acabou ocorrendo um certo desgaste”, finalizou.

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