Os números da Chapecoense na Série B revelam a boa fase do clube catarinense. Para entender como a equipe comandada por Gilmar Dal Pozzo chegou lá, no entanto, é preciso analisar o que foi feito nas últimas temporadas.
Tanto em 2010 quanto em 2011, a equipe ficou próxima do acesso, mas caiu nas fases finais. Há três anos, sucumbiu nas quartas de final. No ano retrasado, ficou em 3º na chave em que dava a vaga apennas para os dois melhores classificados.Já em 2012, conquistou o acesso depois de ser eliminado nas semifinais para o Oeste, que acabou vencendo a competição.
Hoje, o time de Chapecó ocupa a vice-liderança da Série B com 23 pontos, além de ter o melhor aproveitamento do torneio (76,7%), o ataque mais positivo ao lado do Palmeiras, com 23 gols marcados, e um jogo a menos que o adversário paulista, que ocupa a liderança com 25 pontos . O artilheiro do certame também é do Verdão: o atacante Bruno Rangel, com 11 gols.
A receita para tais números é velha conhecida dos clubes brasileiros, mas pouco colocada em prática: manter a base do elenco e entrosá-lo, ter uma gestão organizada de trabalho, um bom estádio e muita persistência.
A diretoria manteve 80% do elenco que conquistou o acesso para a Série B no ano passado e foi vice-campeão catarinense em 2013, dando confiança para quem ali estava. Para a Segundona, cinco atletas foram contratados para reforçar a equipe e suprir carências.
Outro ponto importante nessa trajetória é a Arena Condá, a casa do clube, com capacidade para 15 mil pessoas. O estádio vem recebendo melhorias nos últimos anos e deve ser modernizado nos próximos anos.
Para a atual temporada, o gramado e a iluminação foram trocados. Outras benfeitorias são previstas para os próximos meses, já que o número de sócios não para de crescer. A diretoria tem como meta, inclusive, alcançar oito mil filiados até o fim do ano, o que ajudará a manter a casa quase sempre cheia, como já tem ocorrido no torneio nacional.
Para completar o bom trabalho fora das quatro linhas, a diretoria acertou recentemente o patrocínio de R$ 1 milhão junto a Caixa Econômica Federal.
“O reflexo (do sucesso) é de um trabalho de três, quatro anos. O time veio da (Série) C para a B no ano passado. Nesses três anos, ganhou um estadual. É um trabalho de longo prazo”, conta Gilmar Dal Pozzo, que está há dez meses no comando do time.
Elogios ao “time de operários”
Dentro das quatro linhas, o técnico Gilmar Dal Pozzo fala orgulhosamente sobre a equipe que vem surpreendendo na Série B. “É um time de operários, sem estrelas. Temos a nossa maneira de jogar, com uma marcação forte, o controle da posse de bola e uma boa transição para o ataque”, explica.
O entrosamento do elenco e um estadual competitivo (o Catarinense conta com o Criciúma na Série A e Figueirense, Chapecoense e Avaí na B do nacional) colaboraram para a equipe chegar bem na Segundona. “Estamos fortes. Muitas equipes estavam contratando jogadores com o campeonato em andamento e a gente com o time pronto”, lembra o meia Athos, um dos líderes da equipe. “Esse grupo é bem família, os jogadores se respeitam”, completou.
Assediado por clubes das Séries A e B, o atacante Bruno Rangel, artilheiro do torneio com 11 gols, garante que não vai deixar o clube até o fim do ano. “Os clubes não liberam antes do término do contrato, e pagar multa (rescisória) é ruim. Apareceram propostas, mas estou tranquilo, focado e vou ficar até o final da temporada”, revela o camisa 11.