O técnico Dunga garantiu que a fama de carrasco dos argentinos não pesou no retorno de Adriano para a seleção e disse que não o convocaria novamente se o atacante, que marcou em duas finais contra os hermanos, não tivesse recuperado o seu bom futebol.
“A convocação vem porque ele vem em crescimento no Flamengo, encontrando sua forma para jogar. Não pesa muito ele ter um bom histórico contra a Argentina. Não adiantaria nada se ele não tivesse bem”, argumentou o capitão do tetra.
Adriano marcou nos acréscimos o gol de empate da seleção na decisão da Copa América de 2004 (o Brasil levaria a melhor nos pênaltis). No ano seguinte, reencontrou os argentinos no último jogo da Copa das Confederações e, com dois tentos, foi o principal dstaque da goleada por 4 a 1.
Até ser chamado nesta quinta, o Imperador não servia a seleção desde o dia 1 de abril, no jogo contra o Peru, pelas Eliminatórias. Depois da partida, não se apresentou a Internazionale, foi fotografado numa favela do Rio e deu margem para o surgimento de inúmeras especulações – chegou-se a suspeitar de que o jogador teria morrido.
Adriano reapareceu dias depois para afirmar que se sentia infeliz e anunciar seu afastamento temporário dos gramados. Rescindiu seu contrato com o clube italiano e, após um breve período afastado, acertou seu retorno para o Flamengo, onde foi revelado.
Foi apresentado com festa e já na condição de ídolo. Ouviu das arquibancadas o grito “O Imperador voltou” e fez as pazes com as redes (é um dos artilheiros do Brasileirão, com dez gols). Com a convocação desta quinta-feira, agora a torcida da seleção pode roubar o canto da rubro-negra.
“O Adriano já esteve conosco, depois passou um tempo sem treinar, mas agora se reencontrou. Joga com alegria e tem feito um bom Campeonato Brasileiro. Agora, terá mais uma oportunidade aqui na seleção, onde sempre mostrou seu potencial”, justificou Dunga.
Outras surpresas: Dunga também falou sobre o retorno de Lucas e a permanência de Filipe na seleção. Depois de ser convocado pela primeira vez no amistoso contra a Estonia, quando não foi aproveitado, O lateral do La Coruña foi mantido mesmo depois de Marcelo ter se recuperado de contusão no Real Madrid.
“O Filipe não jogou por uma série de fatores contra a Estônia. Perdemos o Kléberson machucado, tivemos alguns jogadores com cartões. Agora vamos trazer o jogador para ver seu rendimento e para que ele fique mais tempo conosco”, explicou Dunga.
Em relação a Lucas, que fica justamente com a vaga do lesionado Kléberson, o treinador evitou comparar os dois atletas. “Futebol é mais simples do que vocês (jornalistas) imaginam. Aqui são 22 jogadores, todos com seu espaço”, iniciou.
“Não é porque o Elano saiu e o Ramires entrou que um é titular o outro reserva. No próximo jogo pode ser que isso não aconteça. Jogamos com Elano, depois com Ramires, depois com Kléberson, daí o Elano voltou muito bem contra a Estônia. Temos que aproveitar as opções”, completou o técnico.
Dunga aproveitou o anúncio dos convocados para os duelos contra Argentina e Chile para reiterar a sua satisfação com o comprometimento dos jogadores da equipe.
“Quando a seleção precisa, tem que estar pronto. É assim que funciona. Às vezes o jogador não vinha por causa das férias, outra vez por causa do clube, e todos pediam comprometimento. Isso não tem faltado graças aos próprios jogadores. Todos estão comprometidos. Nós dá comissão técnica só damos sequência ao trabalho”, concluiu.