Rafael Moura
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Neste sábado, a já tradicional Corrida de Reis chega a sua 43ª edição em Brasília. Cada vez mais presentes no cotidiano dos brasilienses, as provas de rua, há algum tempo, deixaram de ser apenas um divertimento de fim de semana. Proporcionalmente ao número de praticantes, aumentaram também os conhecimentos sobre o esporte.
Prova disso são os cuidados que os corredores estão tomando com os pés. Entre os mais de 12 mil inscritos para completar os percursos de 6 e de 10 km – recorde absoluto da prova -, o consultor em marketing do Sebrae, Virgílio Reis, recentemente deixou o par de tênis velho encostado e fez um investimento de R$ 300.
“Peso 75 kg, então, não preciso de um tênis com muito amortecimento. Sorte minha, porque troco de tênis de seis em seis meses e acaba pesando no orçamento”, brinca o atleta, que corre desde o fim de 2009. A caminhada fazia parte da fisioterapia após sofrer um atropelamento e o esporte virou parte da sua vida.
A tecnologia também tem feito parte da evolução do esporte. Com a indústria de calçados atenta ao crescimento da demanda de público nas corridas de ruas, é importante saber qual o tipo de pisada do corredor para fazer uma prova de forma mais agradável.
Uma loja especializada no assunto, na 111 Norte, fez um investimento de R$ 20 mil para auxiliar os clientes e identificar o tipo do calçado que deverá utilizar. Por uma placa alocada no chão, a máquina faz uma leitura da temperatura dos pés e consegue obter pelo calor onde a pessoa coloca mais força. Feito isso, ela mostra o tipo da passada e qual o melhor modelo de tênis deve ser usado em uma tela de computador.
“Nem sempre o tênis mais caro é o melhor. É importante fazer esse teste para a gente dar o melhor calçado para o cliente. Em loja sem ser especializada, o interesse é que você gaste mais”, disse Heine Suxberger Neto, proprietário da loja. “Hoje em dia, as pessoas estão cientes e 80% dos meus clientes fazem esse teste para saber a sua pisada”, garante o comerciante.
Exemplo
Bruno Melo é desenvolvedor de software e precisou gastar um pouco mais para correr. Em uma decisão radical, ele resolveu deixar o sedentarismo de lado e dos 124kg baixou para a casa dos 99kg. Devido ao excesso de peso, ele fez o teste da pisada e observou que precisa de um calçado com mais absorção de impacto.
“Comecei a correr faz pouco tempo, mas já observei que, quando coloco um calçado mais leve, sem tanto absorção de impacto, o meus treinos não rendem tanto”, afirmou o garoto. Ele acabou de gastar R$400 em um tênis com pisada neutra.
Cuidados para evitar lesões
Nem tudo nas provas de rua é motivo de festa. Um incômodo do esporte é a hora de colocar a mão no bolso para comprar calçados. Atualmente, um bom tênis está avaliado em torno de R$350 e uma preocupação constante, que se torna causa comum de lesões, é o desgaste.
Alguns sinais, como a deterioração da sola, são bem claros. Entretanto, mesmo um tênis parecendo novo, já pode ter perdido grande parte da capacidade de amortecimento. Quando isso ocorre, o principal prejudicado acaba sendo o joelho, que sofre impacto e muitas vezes precisa de uma intervenção cirúrgica para recuperá-lo.
Há tênis com maior ou menor durabilidade, mas, em geral, recomenda-se trocar os calçados entre 560-880km de uso. Se a pessoa está voltando de uma fratura por estresse, deve aposentar o tênis ainda mais cedo para evitar novos problemas – entre 560-640 Km.
Corredores pesados também podem ter que trocar o tênis mais cedo. Eles precisam de um sistema de amortecimento 100% funcional.