Contando com o apoio integral das Confederações da América do Sul, o Brasil oficializou na manhã desta quarta-feira sua candidatura a sede da Copa do Mundo de 2014. Acompanhado de Nicolás Leoz, presidente da Conmebol, Ricardo Teixeira encontrou-se com o Comitê Executivo da Fifa no Japão, onde a entidade hospeda o Mundial de Clubes.
A CBF – e quaisquer outras interessadas – tinham até o dia 18 de dezembro para oficializar sua intenção. Como o órgão comandado por Joseph Blatter já havia determinado a América do Sul como sede do torneio de 2014, o Brasil dá um passo largo em direção ao segundo Mundial de sua história.
“A candidatura do Brasil é legítima e tem o apoio de todas as federações da América do Sul, o que está comprovado pela presença do presidente Nicolás Leoz, o que muito nos honra”, declarou Teixeira, após o encontro com Jim Brown, diretor de competições da Fifa.
“Chegamos a um momento muito importante no projeto da candidatura. Estou me sentindo vitorioso por isso, como devem estar da mesma forma os milhões de torcedores brasileiros que sonham em ver um Mundial no nosso país”, garante o dirigente.
Teixeira, porém, advertiu sobre a necessidade de uma obediência grande às exigências feitas pela Fifa. Mesmo assim, o entusiasmo pela confirmação da candidatura anima o presidente da CBF, que conta com a ação conjunta do Governo Federal e da iniciativa privada para atender aos encargos do Mundial.
“O Governo, através do presidente Lula, já deu repetidas vezes prova de que será um agente fundamental para a realização da Copa do Mundo, inclusive através da instituição de um Grupo de Trabalho Interministerial. E a iniciativa privada dará a resposta que, tenho certeza, será positiva para a implementação de ações que lhe competem”, explicou.
O dirigente sabe bem o que está dizendo. Antes da oficialização, a candidatura do Brasil enfrentou alguma oposição dentro do continente, como a da possibilidade de uma Copa conjunta entre Chile e Argentina. Além disso, a Colômbia já demonstrou alguma vontade de lhe hospedar o evento que escapou em 86 e foi parar no México.
Apesar de favorecido pelo rodízio de continentes, a América do Sul não está 100% garantida. Depois de constatar os problemas que a África do Sul tem para organizar o torneio de 2010, a Fifa vem questionando as chances de o Brasil atravessar ou não as mesmas dificuldades. Por exemplo, o país não tem nenhum estádio em condições de receber o Mundial, uma vez que a Arena da Baixada, o mais moderno do Brasil, tem capacidade de 31.102 lugares, abaixo dos 40 mil exigidos.
Caso resolva romper com o rodízio de continentes, como aconteceu em 2006 com a eleição da Alemanha (a África do Sul era a mais cotada), o Brasil deverá ter adversários de peso no que se refere à modernidade de suas estruturas. Sem tradição futebolística, o Canadá já se propôs a aproveitar a oportunidade, enquanto a Austrália mostrou disposição de tentar levar a primeira Copa do Mundo para a Oceania.