Depois de uma semana turbulenta, a seleção brasileira entra em campo amanhã, às 21h50 de Brasília, no estádio do Engenhão, no Rio de janeiro, com o objetivo de alcançar a liderança das Eliminatórias à Copa do Mundo de 2010.
O Brasil começou seus treinamentos para as duas rodadas das Eliminatórias em crise, por causa da derrota para a Argentina por 3 a 0 nas semifinais dos Jogos Olímpicos de Pequim e da incômoda sexta posição na briga por uma das vagas para a Copa da África do Sul.
A medalha de bronze conquistada em Pequim, após uma vitória por 3 a 0 sobre a Bélgica, não calou os críticos da seleção, e até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar que os jogadores brasileiros “cruzavam os braços quando perdiam a bola”, além de defender o técnico Vanderlei Luxemburgo no lugar de Dunga no comando do Brasil.
A forte crítica contra a seleção gerou protesto dos jogadores, e o goleiro Julio César chegou a dizer que seria melhor para o Brasil que Lula “renunciasse e se mudasse para a Argentina”, já que o presidente elogiou a garra dos atletas argentinos.
A resposta às críticas aconteceu em campo, na noite de domingo, com uma vitória incontestável por 3 a 0 sobre o Chile, em Santiago.
Com o triunfo contra os chilenos e o empate em 1 a 1 entre Argentina e Paraguai, o Brasil pulou para a vice-liderança das Eliminatórias e espantou a crise que tomava conta da seleção desde a conquista da Copa América, no ano passado.
No jogo em Santiago, Dunga optou por armar a seleção com um esquema mais ofensivo, escalando Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Luís Fabiano no ataque.
O treinador brasileiro afirmou que o triunfo sobre o Chile deu a segurança que os jogadores precisavam e mostrou que o trabalho na seleção está sendo feito da maneira correta.
“Essa vitória nos dá a segurança de que o que estávamos fazendo era o certo. Independentemente dos resultados, todo o trabalho e a programação estavam certos”, afirmou Dunga, em entrevista no Rio de Janeiro.
“Demonstramos que estávamos certos, e agora temos mais tempo para trabalhar e com os jogadores em melhores condições físicas. Também éramos muito cobrados porque o Brasil não ganhava fora de casa, mas sabíamos que essa vitória chegaria”, disse.
Para a partida de amanhã, o técnico brasileiro não poderá contar com o lateral-esquerdo Kléber, que foi expulso no confronto contra o Chile. Seu substituto natural é Juan, que está em boa fase no Flamengo, e tem a vantagem de jogar no Rio de Janeiro.
Dunga também não contará com o volante Gilberto Silva, que está suspenso. Em seu lugar deve entrar Lucas, que foi expulso na derrota para a Argentina, em Pequim, e cumpriu seu último jogo de suspensão contra o Chile. As outras opções são Hernanes, do São Paulo, e Elano, do Manchester City, que correm por fora.
No sistema defensivo, o zagueiro Juan cumpriu suspensão contra o Chile e pode voltar. No entanto, o jogador está voltando de lesão e ainda não foi confirmado. Se ficar de fora, Dunga deve escalar Luisão, que cumpriu bem seu papel na partida em Santiago.
Contra a Bolívia, lanterna das Eliminatórias, com apenas 4 pontos, Dunga deve optar novamente por um esquema ofensivo, jogando com três atacantes e homens de criatividade no meio-campo.
Já os bolivianos chegam ao Rio de Janeiro para lutar por sua sobrevivência na briga por uma das vagas para a Copa do Mundo de 2010.
O atacante Marcelo Moreno, que defendeu o Cruzeiro nesta temporada e atualmente joga pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, disse no desembarque no Rio de Janeiro que o objetivo de sua seleção é voltar para casa com a vitória.
“Nossa atitude será buscar a vitória. Sabemos que é difícil, mas não é impossível. Temos uma seleção com mentalidade vencedora (…) Infelizmente, não tivemos sorte em nossas partidas anteriores, mas vamos tentar ganhar no Rio”, afirmou.
Para chegar à liderança das Eliminatórias, o Brasil tem que torcer por um tropeço do Paraguai, atual líder, que joga em casa contra a Venezuela.
Os paraguaios lideram a competição com 13 pontos em sete rodadas, um a mais que Brasil e Argentina, que ocupa a terceira posição por levar desvantagem nos critérios de desempate.
– Prováveis escalações.
Brasil: Julio César; Maicon, Luisão, Lúcio e Juan Maldonado; Lucas, Josué e Diego; Robinho; Ronaldinho Gaúcho e Luís Fabiano. Técnico: Dunga.
Bolívia: Arias; Hoyos, Raldes, Rivero e Ignacio García; Flores, Ronald García, Robles, Vaca e Moreno; Marcelo Moreno. Técnico: Erwin Sánchez.
Árbitro: Alfredo Intriago (EQU), auxiliado por seus compatriotas Félix Badaraco e Juan Cedeño.