Haland Guilarde
Especial para o Jornal de Brasília
Ídolo, artilheiro e um dos responsáveis pelo último título nacional conquistado pelo Botafogo, em 1995, o ex-atacante Túlio Maravilha avisa os torcedores da capital: o título vai sair nesta sexta-feira, às 21h30, contra o ABC-RN. Otimista em relação ao destino do clube na Série A, Túlio conversou com o Jornal de Brasília e falou sobre a identificação com a cidade e o clube, quem ele espera que marque o possível gol do título da Segundona e a mágoa com o ex-presidente do Botafogo Maurício Assumpção. Direto em suas declarações, Túlio Maravilha não poupou críticas a Dunga por barrar Jefferson e lamenta o fato de as provocações terem sumido do futebol brasileiro: “era bacana quando tínhamos atletas que levavam o lado irreverente para as partidas, principalmente as decisivas”, comenta, saudoso.
Como você encara a possibilidade de o Botafogo ser campeão da Série B longe do Rio de Janeiro, no Mané Garrincha, em Brasília?
Tem tudo a ver, um estádio com o nome do maior ídolo do clube. Fora do Rio de Janeiro não teria lugar melhor para o Fogão levantar o troféu de campeão depois de tanto tempo sem conquistar um campeonato com a expressão de um Brasileiro. Em Brasília existe uma enorme concentração de botafoguenses que merece comemorar um título nacional depois de 20 anos. A festa vai ser linda, uma pena não poder estar aí para prestigiar, tenho compromissos de agenda que me impedem de ir.
O que significa ser campeão da Segundona para um clube de tradição? Qual o tamanho da comemoração?
É obrigação. Afinal, o Botafogo é o time de camisa a ser batido na competição. E volta olímpica é bom fazer em qualquer circunstância, na primeira ou segunda divisão. Os torcedores estão com sede de gritar campeão, principalmente os de fora do Rio de Janeiro. Brasília vai ver a força que tem o Alvinegro carioca.
O que o Alvinegro tem que mudar para o ano que vem?
O nível técnico da segunda divisão esse ano não foi muito bom e o título, que virá sem dúvidas, foi difícil, mas era o dever dos jogadores. Eles honraram o manto. Por isso o Botafogo terá que manter uma base, valorizar a garotada que vem surgindo no clube e mostrando que merecem continuar. Mas, principalmente, terá que se reforçar muito e contratar jogadores para chegar e resolver. O Botafogo precisa pensar em ser campeão brasileiro da Série A.
Qual jogador você aponta como provável herói do possível título da Série B aqui no estádio Mané Garrincha?
Na verdade a escalação ainda não está definida. Acho que o Neílton vem vestindo a camisa que eu usei, a número 7. Eu espero sinceramente que seja quem estiver usando a camisa 7, nem preciso dizer o porquê não é mesmo?
Falando em camisa 7, quem você aponta como o melhor atacante da história do clube?
Na verdade existem muitos. O Garrincha foi o maior deles, mas eu me vejo entre os cinco, sem dúvida. Apesar de terem muitos nomes importante para o futebol brasileiro e mundial que já vestiram a camisa preto e branca.
Quem foi o seu principal sucessor com a camisa 7 do time de General Severiano?
Depois de mim, nenhum. Esse espaço ainda está em aberto.
Você guarda mágoas por não ter completado o projeto gol 1.000 no Botafogo?
Mágoa do clube não, eu sou botafoguense de coração, amo o clube. Isso jamais irá morrer dentro de mim. Mas o presidente à época, que eu prefiro nem citar o nome (Maurício Assumpção), foi o único responsável por não ter a continuidade do projeto. Eu sinto bastante, pois quem saiu perdendo foram o clube e os torcedores, que mereciam isso. Mas é bola para frente.
O técnico Dunga barrou hoje o principal ídolo do Botafogo, o goleiro Jefferson, na seleção brasileira. O que achou disso?
O Dunga vinha pressionado por ter perdido para o Chile. Acabou sobrando para o Jefferson, que ao meu ver não teve culpa alguma naquele resultado negativo. Aliás, ele tinha crédito, pois havia pego pênalti do Messi. Isso para um goleiro no futebol atual é algo a ser colocado em questão. Mas como o Dunga é gaúcho e o Gilmar Rinaldi também, tem ali algumas pessoas que são do Sul, pode ter pesado na decisão. Nada contra o Alisson, que é um grande goleiro, mas vejo que houve um certo bairrismo, sim, e a camisa colorada pesou.
Você foi um jogador irreverente dentro e fora de campo. Como você enxerga as proibições das comemorações e a imposição de regras inclusive nas falas dos jogadores atualmente?
Hoje o futebol, infelizmente, está nivelado por baixo, tanto dentro quanto fora das quatro linhas. O futebol deve ser sempre positivo, precisa ser algo que traga alegria para os torcedores, que são os maiores interessados. Era bacana quando tínhamos atletas como eu, o Edmundo, o Viola, e muitos outros que levavam o lado irreverente para as partidas, principalmente as decisivas. Isso instigava a vontade do torcedor em ir ao estádio. Mas hoje o mundo anda muito violento também, se de repente você provoca para promover, as pessoas acabam até se matando. Eu sinto falta da molecagem do futebol.
Muitos torcedores do Botafogo são supersticiosos. Existe algum risco de o título não sair amanhã contra o ABC-RN ?
De jeito nenhum. Os brasilienses podem ir tranquilamente ao estádio fazer a festa e ver a volta olímpica no Mané Garrincha.
Serviço
ABC-RN x Botafogo
Data: 20/11
Horário: 21h30
Local: Mané Garrincha
Preços: Cadeira Inferior: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia); Cadeira Vip Hospitality: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia); Camarote Open Bar/Food: R$ 280 (inteira) e R$ 140 (meia).
Pontos de venda: www.meubilhete.com; Loja Oficial do Botafogo (308 Sul), PrimeTek (antiga CTIS), Globo Esporte, Torcedor Futebol Clube (Sudoeste) e Futebol Arte (Riacho Fundo I).