Os problemas físicos atrapalharam o desempenho do brasileiro Thomaz Bellucci em 2013, mas o próprio tenista admite que a falta de controle mental durante alguns jogos também teve grande importância na decepcionante temporada. Com oito vitórias e 18 derrotas, ele caiu da 32ª para 119ª posição do ranking em apenas nove meses.
Dos 18 resultados negativos que o brasileiro teve este ano, nove vieram em partidas decididas no terceiro set, em que o desgaste emocional é maior e o controle nos pontos decisivos dos games é fundamental.
“Um jogo desse nível é decidido nos detalhes, são pontos importantes em que você precisa jogar bem. Os grandes jogadores são os que jogam seu melhor tênis neste momento. Às vezes acabo me frustrando quando perco essa chance, tem um pouco de ansiedade de querer ganhar, e isso acaba me deixando nervoso para o resto da partida”, explicou o tenista brasileiro.
O problema é antigo em seu jogo, tanto que em 2012 Bellucci recorreu à psicóloga Carla di Pierro para reforçar seu preparo mental. No início do trabalho, o tenista conseguiu se recuperar de momento ruim na temporada e em três semanas consecutivas viajando com a profissional venceu o Challenger de Braunschweig, fez semifinal em Stuttgart e quebrou um jejum de dois anos com o título do ATP 250 de Gstaad.
Mas neste ano os bons resultados não apareceram e o brasileiro sofreu com grandes sequências de derrotas. Dos últimos dez jogos que fez, perdeu nove, dois pela Copa Davis e sete pelo circuito profissional da ATP. Seu melhor resultado no ano, curiosamente foi em um torneio de duplas, que não está acostumado a jogar, faturando o título do ATP 250 de Stuttgart.
“Ela me ajudou bastante com algumas coisas fora de quadra, mas dentro acabei me desfocando um pouco. Não consegui sair desse momento em que estava com muitas derrotas. Mas psicóloga não faz milagre também. O jogador tem que ter motivação e força para sair do buraco”, afirmou o tenista. ainda se consultando com Carla.
Para recuperar a motivação e buscar recuperação no ranking mundial, o brasileiro trocou recentemente de técnico, encerrando uma parceria de quase dois anos com o argentino Daniel Orsanic e contratando o espanhol Francisco Clavet, que já trabalhou com Feliciano Lopez e o colombiano Santiago Giraldo.
A troca de treinador é a quarta de Bellucci nos últimos anos. Anteriormente, ele trabalhou com Léo Azevedo, João Zwetsch e Larri Passos, ex-técnico de Gustavo Kuerten, para então buscar auxílio com profissionais estrangeiros.
“Eu gosto de mudanças, de certa maneira isso me motiva por ter alguém que pode me passar coisas novas, trazer algo que ainda não tenho. Se eu acho que com uma mudança posso conseguir uma motivação maior ou algo para melhorar meu jogo, opto por mudar”, disse o brasileiro.
Mas aprender a se comportar nos momentos decisivos da partida não é a única coisa que Bellucci espera para o próximo ano. No trabalho com Clavet, ele quer ganhar consistência no fundo de quadra, característica da escola espanhola de tênis, e melhorar seu jogo em pisos rápidos, em que ainda se considera vulnerável diante dos adversários.
Neste ano, Bellucci ainda jogar três torneios de nível Challenger para tentar se aproximar novamente do top 100 do ranking mundial. Ele competirá em Buenos Aires, Montevidéu e Bogotá.