As autoridades poloneses prenderam hoje um técnico e dois jogadores, acusados de cobranças ilegais, em mais um capítulo da luta para acabar com a corrupção no futebol do país – até agora, 120 pessoas foram detidas ou acusadas de algum crime.
Segundo o porta-voz da Procuradoria de Wroclaw, Edward Zalewski, cada um dos detidos obteve cerca de 30.000 euros de forma irregular. Ele se negou a dar detalhes sobre as equipes dos três.
A justiça polonesa realiza há meses uma guerra aberta contra a corrupção no futebol. Até mesmo o Campeonato Polonês, com início previsto para o fim de julho, teve de ser adiado para agosto por conta dos escândalos.
O último capítulo da luta contra as práticas ilegais no esporte polonês teve repercussão na imprensa de todo o país: o Governo decidiu afastar a diretoria da federação de futebol e nomeou um administrador para lutar efetivamente contra a corrupção.
A medida foi completamente rejeitada pela Fifa, que chegou a ameaçar o país de exclusão das Eliminatórias Européias à Copa de 2010 se não mudasse de idéia.
O Governo polonês acabou cedendo ao ultimato, já que também corria o risco de perder o direito de sediar a Eurocopa de 2012, ao lado da Ucrânia.
Para o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, atender ao pedido da Fifa não representou uma derrota – porém, é certo que a tentativa de interferir no funcionamento da federação sob o lema da luta contra a corrupção acabou sendo um fracasso.
Nesta quarta, uma pesquisa publicada pelo jornal “Dziennik” mostrou que 65% dos poloneses acham que o Governo teria de ter enfrentado a ameaça da Fifa para conseguir organizar a federação de futebol, mesmo que isso representasse ficar de fora do Mundial da África do Sul.
Outros 40% dos entrevistados pensam que o ministro de Esporte, Miroslaw Drzewiecki, principal derrotado nesta espécie de “guerra do futebol”, deveria renunciar após ceder às ameaças da Fifa.