O atacante Reinier Alcantara, que deixou a seleção cubana que enfrentaria os Estados Unidos pelas Eliminatórias à Copa de 2010, disse hoje que pedirá asilo político às autoridades americanas.
“Vou me apresentar às autoridades para resolver minha estadia aqui e, pouco a pouco, ter meus papéis”, comentou o jogador cubano, de 26 anos, em declarações à televisão argentina diretamente de Miami, onde ficou o tempo todo.
No sábado, a televisão estatal cubana que Alcantara e Pedro Faife “traíram” a seleção que viajou na semana passada a Washington para o confronto diante dos EUA, válido pelo grupo 1 das Eliminatórias da Concacaf à Copa de 2010.
O jogador disse ter escapado dos seguranças que acompanhavam a seleção e fugiu pela porta de serviço do hotel onde a equipe estava.
“Após correr por um bom tempo, parei um táxi e pediu que ele me levasse para longe do hotel e da cidade. Pensei que era minha oportunidade”, comentou o atacante.
Alcantara pediu ainda ao taxista que o levasse a um telefone para falar com um amigo, que mais tarde foi buscá-lo.
O jogador disse que os jogadores da seleção não podiam ficar sozinhos no lobby do hotel, estavam sem telefone no quarto e tinham todos os movimentos controlados.
“A vida cotidiana para o cubano é mais difícil a cada dia. Você se mostra ao mundo sabendo que pode ter um futuro melhor. É preciso viver lá para poder entender as decisões que tomamos”, comentou Alcantara, que disse ter recebido recentemente uma oferta do futebol alemão.
Em março, sete jogadores da seleção cubana de futebol sub-23 que participava do Torneio Pré-olímpico da Concacaf, sumiram na cidade americana de Tampa, na Flórida, após disputar outra partida contra a seleção dos EUA.
Em meados de julho, o ex-presidente cubano Fidel Castro escreveu um de seus freqüentes artigos afirmando que “jamais” se deve permitir o retorno dos esportistas que abandonam a ilha.
“Em Cuba, sequer nos atrevemos a publicar os nomes dos que traem sua pátria vendendo-se ao inimigo”, disse ex-chefe de Estado.