Apesar da surpresa geral com o anúncio da Confederação Brasileira de Futebol do nome de Dunga como novo treinador da seleção brasileira, o lobby pela contratação do ex-jogador começou ainda na Alemanha. Quem garante é o ex-presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Emídio Perondi, que se coloca como principal articulador na CBF para que Dunga assumisse o cargo.
"Conversei com um grupo de amigos e coloquei a idéia. Então falei com o próprio Dunga, questionando sobre a possibilidade e ele aceitou o desafio", declarou o conselheiro do Internacional e também um dos vice-presidentes da CBF. A partir daí a idéia de Dunga teria de passar por seu teste mais forte: a avaliação do próprio presidente da entidade, Ricardo Teixeira. "Depois coloquei o nome para o Ricardo e ele também aceitou. Eu alavanquei a idéia, mas o foi o Ricardo quem decidiu", explicou.
Para o dirigente, não tem sentido os questionamentos referentes à experiência do ex-capitão da seleção brasileira, que jamais foi treinador. "O Dunga segue trabalhando com futebol e fala três línguas diferentes. Que experiência tinha o Klinsmann quando assumiu a Alemanha?", questionou.
Para Emídio Perondi, dirigente que várias vezes presidiu delegações da seleção, as "estrelas" do Brasil – craques como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho – terão uma aceitação favorável diente do novo comandante verde-amarelo, mesmo sabendo de seu temperamento forte.
O dirigente da CBF também revelou sua antiga meta de trabalhar ao lado do capitão do tetra. "Eu estava preparando o Dunga para assumir comigo numa possível eleição à presidência do Internacional. E ele já tinha aceitado", garantiu. "Agora é torcer para que ele tenha a felicidade de escolher uma boa comissão técnica e para que ele realize um bom trabalho diante de nossa seleção", finalizou, desejando sorte ao amigo.
Apesar de apontado como preparado para assumir a equipe canarinho, Dunga nunca conseguiu comandar o Colorado, seu time do coração. Entretanto, ele revelou em entrevista à rádio Jovem Pan que convite não faltou, mas sim carta branca para modificar a equipe.
"Oportunidade eu tive (de assumir o Inter). Uma época, em que o time não estava bem, o presidente me convidou para ser técnico. Falei meu planejamento, minha maneira de trabalhar. Ele disse que não seria possível tantas mudanças naquele momento. Então agradeci o convite, e disse que ficava para outra oportunidade”, confessou Dunga.