O volante Magrão, ex-Palmeiras, foi apresentado nesta segunda-feira no salão nobre do Parque São Jorge e, em suas primeiras palavras, afirmou estar arrependido de ter dito que jamais jogaria pelo Corinthians. Na presença de integrantes de torcidas organizadas do Timão, o atleta prometeu dedicação pela nova equipe.
“Eu me arrependo do que eu disse naquela época e aceitei essa proposta porque é um desafio jogar no Corinthians. A grandeza do clube pode me ajudar muito mais do que eu ajudar o Corinthians. Tenho respeito por todas equipes pelas quais passeis, sempre mostrei vontade e raça nos outros times e aqui não será diferente”, declarou.
O jogador de 27 anos, que chega por empréstimo de dez meses do Yokohama F Marinos, do Japão, vestiu a camisa 11 do Timão e chegou a mostrar o corpo para provar que não havia feito nenhuma tatuagem alusiva ao clube do Parque Antártica. O assunto, aliás, o deixou bastante contrariado.
“Não sei quem vendeu essa notícia da tatuagem. Virei telhado de vidro e isso me chateou muito. Tenho fama de meio doido, meio louco, mas as tatuagens que tenho são em homenagens a minha família. Ouvi muita merda, muita coisa que eu não esperava ter ouvido, mas ninguém estava no Japão comigo e passou o que eu passei”, disse, ressaltando que seus parentes também queriam voltar ao Brasil.
Magrão admite que ficou receoso em aceitar se transferir para o Corinthians, mas mostrou convicção de que não terá dificuldade em se integrar ao universo alvinegro. “Quando estava em outros times, sempre joguei com vontade, querendo vencer, mas nunca desrespeitei o Corinthians e os corintianos porque não sou maluco. Quando recebi a proposta, tive um pouco de receio, mas conversei com a família e busquei alguns ídolos meus no futebol que jogaram em dois times, como o Neto, para tomar a decisão”, contou.
“Tive algumas propostas não só aqui de São Paulo como de fora e tomei a decisão que achava melhor para mim. Sabia da pressão que seria, mas é um desafio. Meu medo era parar de jogar bola daqui a uns anos e ter desperdiçado a chance de jogar em um grande clube como o Corinthians. Estou aqui para me empenhar ao máximo. Não quero estar aqui para ser mais um, eu quero dar certo aqui. Sei das minhas limitações, mas posso dizer ao torcedor que luta, empenho e garra não vão faltar”, discursou.
De quebra, o volante ainda garantiu que irá comemorar se marcar gol contra o Palmeiras. “Você comemorar um gol não é desrespeitar o adversário. Se eu fizer um gol, vou comemorar com a torcida do meu time. O gol é um momento tão legal no futebol que você tem que gritar, tem que extravasar. Seria desrespeito se eu não comemorasse. O que importa é não desrespeitar a torcida adversária”, afirmou.
O novo reforço ainda negou que tenha agido como Carlitos Tevez e tenha abandonado o Yokohama F Marinos. A afirmação foi feita por Emerson Leão, que reprovou a suposta atitude do jogador após o treinador do time japonês ter sido demitido. “Toda decisão que você toma, tem conseqüência, tanto que as coisas que falei há dois anos atrás ainda estão repercutindo. Não foi exatamente pela troca de técnico que eu quis voltar, e sim pelo que minha família estava passando. Além disso, estava com vontade de voltar e achei que seria bom jogar no Corinthians”, disse.
Sonhando em recuperar a “oportunidade perdida” de ser convocado para a seleção brasileira, Magrão ainda mostrou confiança no futuro alvinegro no Campeonato Brasileiro. “Sempre foi difícil enfrentar o Corinthians, independente dos atletas, e uma equipe que tem jogadores como Marcelo Mattos, Carlos Alberto, Roger, Betão é difícil de enfrentar. Acho que era uma fase que estava ruim e ontem (domingo), com a bola tirada em cima da linha, mostrou que já está virando. O time tem um excelente treinador, que tem qualidade e gosta de vencer, e não merece estar nessa situação”, finalizou.
Ficha Técnica:
Nome: Márcio Rodrigues
Nascimento: 20 de dezembro de 1978, em São Paulo (SP)
Altura: 1,86m
Clubes anteriores: São Caetano (1995-96, 1999-00 e 2002), Santo André (1997-98), Palmeiras (2000-02 e 2003-04) e Yokohama F Marinos (2005-06)
Títulos: Campeão paulista da Série A-3 (1998) e campeão paulista da Série A-2 (1999), pelo São Caetano; campeão brasileiro da Série B (2003), pelo Palmeiras.