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Futebol

Árbitro de Brasília está marcado na história das Copas

Arquivo Geral

27/07/2014 8h00

Nome comum nos campeonatos de futebol nacional e internacional, Sandro Meira Ricci passa longe de ser o personagem mais amado pelas torcidas, muitas vezes ocupa o papel de vilão. Com o uniforme diferenciado, a posição dele em campo não interfere no andamento do jogo, mas as decisões, sim.

Ricci foi o primeiro árbitro do mundo a usar a tecnologia de linha do gol, na Copa do Mundo, no jogo entre França e Honduras, partida que terminou em 3 x 0 para o time francês. Em entrevista ao JBr, o mineiro de Patos erradicado em Brasília, afirmou não ter duvidado em momento algum do novo aparelho.

Árbitro da Final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2013, ele acumula títulos interessantes: é detentor do prêmio de melhor árbitro do Campeonato Brasileiro de 2010 e o de segundo melhor árbitro no campeonato seguinte. No mês passado, Ricci chegou ao ápice da carreira no Mundial e agora só pensa em descansar na companhia da família.

Você conseguiu acrescentar mais experiência à sua carreira na Copa do Mundo, mesmo sendo acostumado com campeonatos internacionais?

Vivi, durante quarenta dias, uma experiência marcante, da qual me lembrarei para o resto da vida. A oportunidade de conviver com colegas de outros países e a intensa troca de experiências no período de preparação física, técnica e psicológica vão contribuir para melhorar a atuação de cada um de nós, árbitros e assistentes, dentro de campo.

Para você, a Copa realmente valeu à pena?

É extraordinário testemunhar, de perto e por dentro, o que é a infraestrutura de uma Copa do Mundo. A importância desse evento e o quanto um enorme contingente se dedica para tudo dar certo é extraordinário. Me refiro, inclusive, a todas as pessoas que trabalharam – dos discretos e humildes voluntários aos consagrados jogadores – para que o torneio fosse como foi, um sucesso, sem dúvidas.

Você foi o primeiro a usar a tecnologia para confirmar o gol da França contra a seleção de Honduras. Em algum momento duvidou da tecnologia?

Sou defensor do uso da tecnologia no futebol. Considero que esse recurso contribui para a correção no cumprimento da regra e entendo que esse mecanismo pode ser utilizado para todo o campo e não apenas para a linha do gol. Ao receber o sinal, por meio do relógio de pulso, de que a bola havia ultrapassado marca, confirmei com os assistentes e o quarto árbitro e sinalizei o centro do campo.

O telão mostrou apenas parte do lance dando a entender que a bola não havia entrado. Como foi a reação dos jogadores?

Os jogadores de Honduras fizeram algumas reclamações, mas logo tudo se esclareceu e tive a oportunidade de explicar para o capitão hondurenho sobre o funcionamento do sistema. E o jogo seguiu tranquilamente.

Você sentiu receio de apontar o centro do campo confirmando o gol da França?

Os trios de arbitragem, todos, estávamos muito bem preparados. Fomos perfeitamente orientados sobre o funcionamento do sistema, o que nos deu total segurança.

Acha que esse recurso deveria ser implantado nos campeonatos nacionais?

Sem dúvida nenhuma. A Fifa anunciou que arcará durante um ano com o custo do sistema nos estádios onde está instalado. E isso será, tenho certeza, mais uma contribuição para o futebol brasileiro. Defendo, inclusive, que as finais das competições nacionais sejam, preferencialmente e sempre que houver possibilidade, nos estádios que contam com a tecnologia da linha do gol.

A arbitragem da Copa foi muito criticada por alguns erros. Por ser um mundial, acha que houve falta de atenção dos árbitros?

Discordo das críticas e ainda mais de que possa ter havido falta de atenção. Os trios de arbitragem que participaram da Copa são altamente capacitados e atenderam a severos critérios de seleção para poderem atuar no torneio. As condições de trabalho e de preparação foram as melhores possíveis. A arbitragem não é uma ciência exata, que independe da nossa opinião, mas uma ciência humana e, por natureza, imprecisa. A aceitação desse principio é essencial para que se possa entender e humanizar a função do árbitro de futebol.

Agora que a Copa acabou, quais são os seus próximos objetivos na profissão?

Agora penso em descansar e conviver com minha família, de quem fiquei afastado desde o início de junho. Nesta semana retomo minha rotina como servidor público. E vou continuar com o treinamento físico para estar bem preparado e poder cumprir meu papel nos torneios que estão em curso e naqueles que virão pela frente.

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