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Futebol

Após MSI e 6 anos na Turquia, Marcus Vinícius quer voltar ao Brasil

Arquivo Geral

26/03/2013 15h27

A tranquilidade encontrada pelos jogadores vindos da base no atual elenco do Corinthians esteve bem longe de existir quando Marcus Vinícius foi promovido aos profissionais, em 2005. Em meio às estrelas e à crise política trazidas pela parceria com a MSI, o zagueiro enfrentou a ira da torcida antes de tentar a sorte na Turquia e, calejado pelos tempos de Timão, se diz pronto para qualquer desafio.

 

“O time profissional tem um grupo formado, uma base bem sólida. E para os garotos entrarem tem que ter mais calma, só um ou outro que vai conseguir se firmar. Na minha época não tinha estrutura, não tinha um time formado. Nossa geração teve que jogar, pois não tinha solução. Tudo pela necessidade”, comparou o zagueiro, hoje no Istanbul BB, em entrevista à GazetaEsportiva.net.

 

Em reta final de contrato, o defensor já avisou aos dirigentes do clube turco que não renovará o contrato após quase 150 jogos e sete gols marcados. Ele aposta no retorno ao Brasil para ganhar destaque e continuar sonhando com a Seleção Brasileira. Sem poupar elogios à atual gestão corintiana dentro e fora dos gramados, o jogador de 28 anos afirma que gostaria de retornar ao Parque São Jorge, mas sem fechar as portas para outras equipes.

 

“Tenho uma idade boa e não queria voltar com aquele discurso de jogar um ou dois anos e parar. Saí muito novo e quero mostrar meu valor no País. Todo jogador pensa em Seleção, mas tenho que me firmar no futebol brasileiro primeiro. Tem que ir passo a passo. Cheguei a ter algumas conversas, teve clube carioca que chegou a conversar mais concretamente, mas nada oficial”, revelou.

 

A estreia de Marcus Vinícius com a camisa do Corinthians aconteceu no dia 17 de abril de 2005 em vitória por 3 a 0 sobre a Portuguesa Santista. Depois de se destacar entre as grandes contratações da ‘Era MSI’, chegando marcar um gol na Copa Libertadores de 2006 e disputando 55 partidas, o zagueiro foi negociado no início do ano seguinte e, de longe, assistiu ao rebaixamento e à ascensão do clube.

 

“É difícil falar, mas acho que o rebaixamento serviu para o time se reorganizar, se estruturar e se tornar um dos maiores clubes do mundo”, ressaltou o defensor, que demonstrou afeto ao Timão: “Fico feliz pelo crescimento do Corinthians. É um clube que eu tenho carinho por ter me proporcionado a condição de me tornar um jogador profissional e vir para a Europa.”

 

Além de servir como vitrine para sua carreira, o Alvinegro teve outro papel importante na vida do jogador. A revolta da torcida na fatídica eliminação para o River Plate na Libertadores de 2006 ainda está gravada na memória de Marcus Vinícius. Embora lamente a atitude dos torcedores, o beque acredita que o episódio serviu para deixá-lo pronto para superar qualquer obstáculo.

 

“O torcedor brasileiro tem que mudar. Alguém tem que tomar uma atitude. O Corinthians sofria com a pressão da torcida na Libertadores, atrapalhava dentro de campo. Depois de jogar com essa pressão, nenhuma outra me assusta mais. Ganhei muita experiência com aquele ambiente. Nós jogadores não tínhamos a noção de tudo o que tava acontecendo em volta, a polícia segurando a torcida. Depois todos ficaram assustados. Saímos do Pacaembu quase 4 horas da manhã”, relatou.

 

Outro fator apontado pelo zagueiro como determinante para a irregularidade da equipe foi a falta de comando durante a parceria com a MSI. Após o título do Campeonato Brasileiro de 2005, o Timão não engrenou no ano seguinte e brigou contra o rebaixamento, que seria inevitável em 2007, até as últimas rodadas. O único personagem poupado foi o iraniano Kia Joorabchian.

 

“O Kia era bem presente, participava no dia a dia, reunião do grupo, ia ao vestiário nos jogos. A briga política atrapalhava dentro de campo. Você acaba escutando falar dos problemas, da desorganização. Não sabíamos quem realmente mandava”, destacou, em referência ao então presidente Alberto Dualib.

 

Embora lamente a reação da torcida com a eliminação e a ausência de um líder na diretoria, o defensor negou que o elenco fosse rachado, mesmo com a presença de nomes como Carlitos Tévez, Javier Mascherano, Roger e Carlos Alberto. “Muitos falavam que tinha divisão no grupo, brigas internas, mas eram coisas normais. Eles se davam bem, mas quando tem muita gente junta sempre acaba tendo alguma discussão”, sentenciou Marcus Vinícius.

 

O beque também descartou qualquer sentimento de incômodo dos jovens com a badalação sobre os ‘galácticos’. Segundo ele, a receita dos garotos para ganhar confiança na equipe foi reforçar os laços de amizade dos tempos do ‘terrão’. “Quem veio da base era mais próximo por ter crescido junto”, explicou o ex-corintiano, que mantém até hoje contato com o centroavante Bobô, que atua no Kayseispor, também da Turquia: “Desde a base a gente sempre jogou junto e chegou a morar junto no alojamento.”

 

Valorizando o crescimento tático e de posicionamento que ganhou vestindo a camisa do Istanbul BB, o zagueiro enxerga no Corinthians o time ideal para o retorno ao Brasil. Para ele, a organização da diretoria chefiada por Mário Gobbi e o elenco pronto comandado por Tite facilitam a vida de qualquer reforço do time Alvinegro.

 

“Seria muito mais fácil render numa equipe formada. Para mim, voltar para o Corinthians ou para outro clube do Brasil não faz diferença, mas tenho que admitir que no com a organização que tem agora, qualquer jogador quer estar lá”, entregou Marcus Vinícius, que teria a concorrência de Chicão, Paulo André, Gil e Felipe em caso de retorno ao Timão.

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