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Futebol

Após gritos de Ronaldo, Mano nega que polêmica prejudique time

Arquivo Geral

19/09/2008 0h00

O ex-goleiro Ronaldo estava revoltado na manhã desta sexta-feira, no Parque São Jorge. “Sou sócio do Corinthians e tenho o direito de reclamar. Vim aqui só para isso”, avisou, aos gritos, enquanto a equipe de Mano Menezes treinava à sua frente. A insatisfação é com o empréstimo de R$ 600 mil (sem juros) que a diretoria recebeu do empresário do treinador, Carlos Leite, para contratar Wellington Saci e Eduardo Ramos.


Na quinta-feira, o vice-presidente de futebol Mário Gobbi se pronunciou sobre o assunto. O dirigente agradeceu mais de uma vez a Carlos Leite pela generosidade e justificou o empréstimo com o “tesão”, segundo ele, que o agente sente pelo projeto do Corinthians. “Esse Mário Gobbi veio de onde para cair no futebol? Estou vendo muita gente caindo de pára-quedas no meu Corinthians e fico envergonhado. O clube não pode ser refém de empresário. Cadê a renovação e a transparência?”, criticou Ronaldo.


O ex-goleiro e atualmente comentarista de uma emissora de televisão deixou a sala de imprensa do Parque São Jorge quando Mano Menezes entrou para conceder entrevistas. “Minha relação com o meu agente é exatamente igual à de outros profissionais com os seus. Escolhi o Carlos Leite para me representar porque acho que é um procurador muito bom. Seria burrice da minha parte se não fosse assim”, desabafou o técnico, não tão irritado quanto Ronaldo.


Ao se dizer enojado com a situação, Mano repetiu um gesto que Mário Gobbi fez no dia anterior: contou com os dedos jogadores de sua equipe titular que não são empresariados por Carlos Leite, procurador de Denis, Eduardo Ramos, Wellington Saci, Cristian e que tem participação nos direitos federativos de Elias.


“Só gostaria de perguntar o seguinte: se eu escalar o Felipe, tem algum problema? O Alessandro? William? Chicão? André Santos? Carlos Alberto? Fabinho? Douglas? Morais? Herrera? Lulinha? Todos esses têm empresários que não são o Carlos Leite. A situação me parece bastante clara. O resto é conversa fiada e tentativa de fazer um jogo nojento, que, sinceramente, não mereço”, reclamou o técnico.


Mano também não teme que um dos jogadores mencionados por ele se revolte caso seja preterido por algum dos representados por Carlos Leite. “A relação de confiança em um grupo não é estabelecida por decreto. Você conquista no dia-a-dia. Ela vai continuar intocável nesse ponto porque os jogadores sabem o que devem ou não fazer para jogar”, assegurou.


Mais calmo, o treinador do Corinthians se conformou com as cobranças. “Há uma exploração inadequada de determinadas situações, mas não posso escolher como as pessoas vão conduzi-las. Só que tenho notado desde janeiro que o Corinthians precisa ser notícia. Como a equipe está bem, as pessoas procuram outras coisas para falar. Devo saber me comportar dentro dessa realidade”, lamentou Mano Menezes.


 

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