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Futebol

Após fechamento da janela, clubes encaram um novo Brasileirão

Arquivo Geral

03/09/2008 0h00

Com mais de meia centena de negociações internacionais, encerrou-se na última segunda-feira a janela de transferências para o mercado europeu, período no qual os clubes do Velho Continente puderam reforçar o elenco com os destaques do mundo todo, especialmente do futebol brasileiro. Em 2008, manteve-se constante o êxodo de craques, motivado pelas revelações da primeira metade do Campeonato Brasileiro, assim como pela necessidade dos clubes em fazer caixa diante de propostas milionárias. Mais do que encerrar as dores de cabeça dos treinadores e os anseios de dirigentes e empresários, a data passa uma linha divisória no Brasileirão: sem muitos dos seus craques, o clubes precisarão se adaptar para manter ou melhorar o rendimento.


Seis anos após a implementação do campeonato nacional na disputa por pontos corridos, o planejamento que aos poucos vai evoluindo nos clubes tratou, também, de, pelo menos, deixá-los mais preparados para a saída dos jogadores. Enquanto na última temporada 81 jogadores deixaram o país, seduzidos pelas propostas internacionais, desta vez o número diminuiu para 57. Além disso, os próprios treinadores já começam a competição se preparando para as possíveis baixas.


“Antes de perder o Alex Silva, o São Paulo contratou dois zagueiros. Aqui, me preparei para a saída do Valdívia para ter jogadores já no elenco para isso. Até com o Henrique, que saiu um pouco precocemente, busquei substitutos mesmo para uma negociação futura”, exemplificou o técnico Wanderley Luxemburgo, que conseguiu manter o rendimento de seus comandados no Palmeiras durante o período. Os treinadores brasileiros, aliás, tiveram de lidar com problemas mesmo antes da concretização dos negócios. Foi o caso de Luxemburgo com o chileno, que caiu de rendimento em seus últimos jogos no Palestra Itália; e do atacante Diogo, que, enquanto definia sua saída da Portuguesa, pediu ao então técnico Valdir Espinosa para não atuar, por ‘não ter condições psicológicas’. Na Série B, Mano Menezes sofreu o mesmo problema.


“A janela de transferências fez um pouco de estrago. Nesses últimos dias, a ansiedade de alguns jogadores piorou um pouco. O que tenho conversado com aqueles estavam envolvidos em alguma especulação, é que eles precisam ter a noção de que jogam em um dos principais clubes do país, com uma remuneração muito boa e que estão recebendo absolutamente em dia. Por isso, precisam ter calma, pensar na carreira e não só em uma pura e simples transferência. Essa deve ser a visão do jogador brasileiro hoje”, avaliou o treinador do Corinthians.


A novidade é que, desta vez, o mercado que mais usufruiu dos craques brasileiros está longe de manter o padrão do passado. Não houve transferências para os chamados grandes clubes europeus como Real Madrid, Manchester United, Internazionale, Milan e Bayern de Munique, por exemplo. A exceção é o zagueiro Henrique, do Palmeiras, que deixou o país comprado pelo Barcelona, mas que foi imediatamente emprestado ao Bayer Leverkusen, da Alemanha.


E, se os grandes não se interessaram pelos craques brasileiros, os clubes médios da Europa e os ricos times do futebol árabe fizeram a festa. Exemplo disso é a maneira como alguns jogadores deixaram o país: o meia Valdívia, do Palmeiras, dado como negociação certa, acabou indo parar no Al-Ain, dos Emirados Árabes, enquanto o principal jogador do Fluminense na Copa Libertadores, Thiago Neves, irá atuar pelo Hamburgo. O ascendente Nilmar, do Inter, não foi negociado a tempo, mas tinha grandes chances de reforçar o Zaragoza, time da segunda divisão espanhola ou mesmo o Palermo, da Itália. O camisa 9, aliás, acabou frustrado pela não concretização do negócio.


“No Grêmio, tive três jogadores nessas circunstâncias, que acabaram indo para fora do país. O Anderson está no Manchester United, o Lucas no Liverpool e o Carlos Eduardo preferiu ir para um clube de pouca expressão. O que aconteceu? Os dois primeiros estão na seleção brasileira e o terceiro ficou esquecido”, relembrou Mano Menezes, atentando para os efeitos de uma ida para clubes de menor espaço no cenário mundial. Carlos Eduardo, um dos destaques do Grêmio em 2007, reforçou o Hoffenheim, que subiu para a primeira divisão alemã na última temporada.


Assim, com o bolso mais cheio e com os elencos desfalcados, os 20 clubes da Série A do Brasileirão terão 14 rodadas restantes para definir os rumos do futebol nacional e demonstrar quais são as conseqüências de mais uma temporada na qual a demanda internacional consegue retirar alguns dos principais atletas do país. Sai na frente o clube que obteve o melhor custo-benefício nos acordos feitos.


O clube mais afetado pelas negociações foi o Flamengo. O time perdeu, durante a janela, oito jogadores, transferências que influíram diretamente na queda de rendimento da equipe: com o elenco praticamente completo, o time conseguiu segurar a liderança da competição até a 13ª rodada, para, desfalcado, começar a derrocada e cair para um mero 7º lugar. A recuperação rubro-negra, ainda em andamento, é impulsionada também por negociações, mas que desta vez trouxeram atletas ao clube. Se antes Marcinho, Renato Augusto e Souza deixaram a Gávea, agora o clube conta com os recém-contratados Marcelinho Paraíba, Vandinho e Everton. Ainda aguardando a hora de estrear, chegou também Josiel, artilheiro do Brasileirão do ano passado pelo Paraná.


Entre os cariocas, o Flamengo não foi o único a ter perdas significativas. O Fluminense viu, após a perda do título da Libertadores, três titulares deixarem as Laranjeiras: o lateral Gabriel, o meia Cícero e, mais recente, o camisa 10 Thiago Neves. Já o Vasco negociou o jovem Pablo e o atacante Villanueva, enquanto o Botafogo perdeu apenas Vanderlei e, não por coincidência, está há doze jogos sem derrota, desde 20 de julho, exatamente o período em que os adversários começaram a ter seus elencos devassados.


Os paulistas conseguiram manter muitos jogadores. O Palmeiras deixou ir o zagueiro Henrique e o meia Valdívia, além do goleiro Diego Cavalieri, vendido ao Liverpool há mais tempo. No São Paulo, o zagueiro Alex Silva e o atacante Aloísio foram os principais negociados, enquanto somente Carlão deixou o Corinthians. Lusa e Santos foram mais afetados: entre outros, Betão, Rodrigo Tabata e Marcinho Guerreiro deixaram a Vila Belmiro, enquanto Christian e Diogo foram embora do Canindé.


Algumas baixas significativas também entre os mineiros: Coelho e Danilinho pelo Atlético-MG; Marcelo Moreno, Marcinho e Charles pelo Cruzeiro. Mesmo o Ipatinga, pior time do Brasileirão, viu um jogador seu deixar o elenco para jogar fora do país: Edmar foi o escolhido pelo Sporting Braga no Tigre do Vale do Aço.


Caso curioso é o dos gaúchos: os times não só conseguiram segurar seus principais craques como ainda reforçaram mais o elenco. O Grêmio, que contava com a saída da revelação Léo, acabou perdendo somente os meias Roger e Eduardo Costa, mas trouxe Souza, Richard Morales e Tcheco. No Inter, a mesma coisa aconteceu: Fernandão e Renan saíram, mas Nilmar e Guiñazu foram mantidos e ainda houve a chegada de D’Alessandro, Daniel Carvalho e do goleiro Lauro.


No resto do Brasil, a média é mantida. O Vitória acabou se desfazendo de seu principal atacante, Dinei; o Coritiba vendeu um dos destaques das primeiras rodadas, o meia Michael e o Figueirense não conseguiu manter o zagueiro Felipe Santana. O único clube da Série A a não ceder jogadores para o mercado internacional foi o Goiás. O destino mais comum aos negociados foi o futebol português, com 12 atletas, especialmente para clubes como o Naval, Belenenses e Braga. Na seqüência aparecem Alemanha e Itália, com sete transferências cada. Houve também atletas capazes de deixar o país para jogar na Suécia, Rússia, Holanda, Turquia, Equador e Coréia do Sul.


 

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