Desde que deixou de vestir a camisa da Seleção Brasileira como jogador, em 1993, a aposentadoria e a família distanciaram Careca não só da camisa amarela como do dia a dia do futebol. Até que a dupla formada por Dunga e Gilmar Rinaldi, que encabeça a comissão técnica brasileira, decidiu escolhe-lo como auxiliar pontual da vez. Após 22 anos, o ex-atacante, 15º maior artilheiro da Seleção, chegou com disposição para ajudar no que puder.
“Esse processo diferenciado que a comissão implantou é bacana. Estou voltando bastante motivado, a única coisa é que não dá para entrar em campo, infelizmente”, brincou Careca na chegada ao hotel, no último domingo. “A comissão eu conheço muito bem, os jogadores eu conheço pouco até porque eles são bem jovens, tudo é bem diferente. Mas no que eu puder ajudar no dia a dia em campo, com uma boa conversa, a gente vai estar junto”, falou o ex-jogador, que já fez golaço e amargou eliminação em Copa diante da Argentina..
Autor de 29 gols em 65 jogos disputados com a camisa amarela, e vice-artilheiro da Copa do México, em 1986, o ex-camisa 9 se dividiu em elogios para Ricardo Oliveira e Neymar, que pela primeira vez jogarão juntos pela Seleção. Punido com quatro jogos de suspensão após confusão na Copa América, o atacante do Barcelona não pôde estar presente nos duelos contra Chile e Venezuela, quando Oliveira voltou à ativa marcando inclusive um gol.
“O Neymar é genial. É um cara muito inspirado e se diverte jogando futebol, é aquilo que a gente quer ver”, disse, também comentando sobre o atacante santista. “Ele (Ricardo Oliveira) está inteiraço, é um cara que se cuida. Já tinha esse propósito de voltar à Seleção, está arrebentando no Santos e não é de hoje, enfim, espero que possa ajudar no compromisso com a Argentina pela importância que tem”, avaliou o ex-atacante, titular nas Copas do Mundo de 1986 e 1990.
Admitindo que mesmo sem Messi a Argentina tem suas qualidades para encarar o Brasil, o auxiliar pontual e amigo pessoal de Gilmar Rinaldi e Dunga não escondeu as expectativas que tem em Neymar. “Com o Messi é diferente. Sem o Messi é um time, não digo comum, tem lá suas qualidades”, ponderou que contra a mesma Argentina, em 1985, fez um golaço de bicicleta em jogo disputado na Fonte Nova, que será palco do último compromisso do Brasil no ano, contra o Peru.